Geral Saúde
Caneta emagrecedora brasileira chega ao mercado no dia 15 de junho
EMS diz que produto estará nas farmácias ao preço inicial de R$ 452 e pacote para três meses por R$ 863,23.
02/06/2026 16h43
Por: Marcelo Dargelio

A primeira caneta brasileira de semaglutida já tem preço e data para chegar às farmácias. A EMS anunciou que o medicamento será vendido a partir de R$ 452 e começa a ser distribuído no país em 15 de junho, segundo informações publicadas pelo g1 e reproduzidas por veículos nacionais.

O produto chega ao mercado em meio à grande procura pelas chamadas canetas emagrecedoras, usadas em tratamentos de obesidade e diabetes. A expectativa da fabricante é ampliar o acesso a uma terapia que, hoje, pode custar perto de R$ 1 mil por mês com medicamentos de referência.

A empresa também anunciou um plano para os três primeiros meses de tratamento. As canetas com doses suficientes para 90 dias custarão R$ 863,23, o que reduz o custo médio mensal para cerca de R$ 287 na fase inicial. A partir do quarto mês, a caneta passará a custar R$ 498.

A EMS informou ainda que pretende vender um pacote com duas canetas de 1,0 mg por R$ 896, mas essa opção ainda não tem data definida para chegar às prateleiras. No primeiro ciclo de abastecimento, a farmacêutica prevê disponibilizar mais de 500 mil canetas em farmácias de todo o país.

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Apesar do apelo popular ligado ao emagrecimento, há um ponto importante: o Ozivy, nome da caneta de semaglutida da EMS, foi aprovado pela Anvisa para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, como apoio à dieta e ao exercício. O medicamento poderá ser usado quando a metformina não for indicada ou em associação com outros remédios para diabetes.

A semaglutida pertence à classe dos agonistas de GLP-1. Esses medicamentos imitam a ação de um hormônio que participa do controle da glicose, da saciedade e do esvaziamento do estômago. Por isso, podem ajudar no controle do diabetes e também na perda de peso, quando usados nas doses e indicações corretas.

Em estudos internacionais com semaglutida em dose de 2,4 mg para obesidade, participantes perderam, em média, 14,9% do peso corporal em 68 semanas, contra 2,4% no grupo placebo, sempre com mudança de estilo de vida associada. Esse resultado, porém, não deve ser automaticamente transferido para qualquer caneta ou dose disponível no mercado.

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A vantagem da versão nacional está principalmente no preço. A Anvisa autorizou um teto semelhante ao de produtos como Ozempic e Wegovy, próximo de R$ 800, mas a EMS optou por lançar a caneta com valor menor, mantendo a promessa de reduzir o custo em pelo menos 30% em relação às principais opções disponíveis.

Mesmo assim, médicos alertam que o tratamento não deve ser usado como solução rápida ou apenas estética. A caneta de semaglutida exige prescrição, acompanhamento e avaliação individual, especialmente em pessoas com doenças prévias, uso de outros medicamentos ou histórico de problemas gastrointestinais.

Entre os efeitos adversos mais comuns dos agonistas de GLP-1 estão náuseas, vômitos, diarreia, constipação e dor abdominal. A Anvisa também emitiu alerta para risco de pancreatite aguda associado ao uso indevido desses medicamentos, especialmente fora das indicações aprovadas em bula ou sem acompanhamento profissional.

A bula de medicamentos com semaglutida cita contraindicação para pacientes com hipersensibilidade grave ao princípio ativo ou a componentes da fórmula. Também há cuidados em situações como gravidez, amamentação, diabetes tipo 1, insuficiência renal ou hepática grave e histórico de algumas doenças, conforme avaliação médica.

Na prática, a chegada da caneta brasileira pode mudar a disputa no mercado e reduzir o custo para parte dos pacientes. Mas a orientação segue a mesma: não comprar pela internet sem origem comprovada, não usar sem receita e não iniciar tratamento sem acompanhamento médico.