Para fortalecer o ensino da leitura e da escrita – base de toda a aprendizagem escolar –, o governo do Estado tem intensificado os investimentos na área da alfabetização. Desde 2023, com a criação do Programa Alfabetiza Tchê, mais de R$ 32 milhões já foram aplicados em ações voltadas para alfabetizar as crianças do Rio Grande do Sul na idade certa. Em 2026, a previsão é investir mais de R$ 41 milhões.
Desenvolvido em regime de colaboração entre Estado e prefeituras e com a adesão de todos os 497 municípios gaúchos, o programa busca garantir que a integralidade dos estudantes da rede pública estejam plenamente alfabetizados até o 2º ano do Ensino Fundamental. A iniciativa também conta com a parceria da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime-RS).
Para isso, é estabelecida uma série de metas e orientações tanto para as escolas estaduais quanto para as municipais – criando, assim, uma rede integrada em prol da alfabetização.
Como funciona oPrograma Alfabetiza Tchê
As ações do programa são estruturadas em cinco eixos de atuação:
O modelo de formação de professores funciona em formato de cascateamento. Primeiro, os formadores estaduais capacitam os formadores regionais. Depois, esses profissionais repassam o conhecimento para os formadores municipais, que realizam as oficinas diretamente com os professores de sala de aula.
Por meio do Alfabetiza Tchê, o governo do Estado realiza avaliações de acompanhamento e financia bolsas, formações, materiais pedagógicos e premiações. Dessa forma, desde o início do programa, mais de 504 mil avaliações diagnósticas de fluência leitora já foram aplicadas ao longo de seis edições e mais de 532 mil kits de material didático foram distribuídos para auxiliar a alfabetização nas escolas públicas.
Além do apoio pedagógico, o programa também reconhece e incentiva o trabalho das escolas. Em abril, 200 instituições foram premiadas com recursos financeiros. As escolas com melhores resultados receberam entre R$ 40 mil e R$ 80 mil; já aquelas com indicadores mais baixos ganharam entre R$ 20 mil e R$ 40 mil como incentivo para melhorarem seus indicadores.
Cooperação para melhoria dos resultados
A premiação também vêm acompanhada de um compromisso de cooperação. As escolas premiadas se comprometem a auxiliar aquelas que buscam melhorar seus índices de alfabetização, chamadas de “escolas apoiadas”.
A Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Oswaldo Vergara, localizada no Bairro Farrapos, em Porto Alegre, faz parte do grupo de escolas apoiadas e vivenciou essa parceria de perto ao receber o suporte da comunidade escolar do município de Triunfo. "Foi uma troca muito rica, que envolveu um ano inteiro de planejamento, visitas e reuniões. A alfabetização se dá em qualquer realidade", avalia a diretora da escola, Anemarie Rucke.
Para a diretora, os frutos da união de esforços já são visíveis. "A sementinha foi plantada e já vemos uma grande diferença. Acreditamos que a alfabetização é o pilar de tudo, é o que dá condições para o aluno navegar e entender o mundo. O estudante que lê e entende se apropria de um conhecimento que abre portas", conclui.
Indicadores da alfabetização
O governo estadual utiliza dois mecanismos próprios de acompanhamento da alfabetização: o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar (Saers) e a Avaliação de Fluência Leitora.
O Saers é um diagnóstico anual que avalia o desempenho dos alunos do Ensino Fundamental das redes municipais e Estadual, além do Ensino Médio da Rede Estadual, com foco nas competências e habilidades de Português e Matemática.
Além de medir o conhecimento dos estudantes nessas áreas, os resultados servem como critério para calcular o Índice Municipal da Educação do RS (Imers). O indicador influencia o repasse do ICMS aos municípios e é uma forma de incentivar a melhoria contínua da educação.
A Avaliação de Fluência Leitora, por sua vez, serve como uma ponte entre o reconhecimento das palavras e a compreensão real do texto. Além de medir o desempenho dos estudantes, os dados das provas auxiliam na construção de intervenções pedagógicas, mostrando aos professores quais são os pontos de atenção.
Texto: Ascom Seduc
Edição: Secom