Uma ampla ofensiva do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil, deflagrada na manhã desta terça-feira (2 de junho), desarticulou uma organização criminosa especializada no fornecimento de armamentos e na ocultação de patrimônio no Rio Grande do Sul. A operação resultou na prisão de 20 pessoas suspeitas de integrar um esquema que movimentou ao menos R$ 13 milhões por meio de lavagem de dinheiro.
O grupo criminoso mantinha uma estrutura logística sofisticada na Região Metropolitana de Porto Alegre. De acordo com os investigadores, o núcleo era responsável por abastecer com armas de fogo uma das principais facções em atividade no Estado, que possui forte base operacional na região do Vale do Sinos.
Durante o cumprimento das ordens judiciais nas primeiras horas da manhã, os agentes policiais apreenderam oito veículos de médio e alto padrão, um jet-ski e cerca de R$ 30 mil em espécie.
O foco da operação, no entanto, concentrou-se no estrangulamento financeiro da organização. A Justiça autorizou o sequestro de 36 automóveis, além de imóveis e outros ativos que haviam sido adquiridos com os recursos provenientes do comércio clandestino de armas.
Ao todo, o Poder Judiciário expediu 24 mandados de prisão preventiva — dos quais 20 foram cumpridos hoje e três tinham como alvo criminosos que já se encontram recolhidos no sistema prisional gaúcho. Dezenas de ordens de busca e apreensão e bloqueios de contas bancárias foram executadas simultaneamente nos municípios de:
Porto Alegre;
Cachoeirinha;
Gravataí;
Cidreira (Litoral Norte).
O monitoramento do Denarc identificou o uso estratégico de duas lojas de revenda de automóveis para dar uma aparência de legalidade aos valores ilícitos obtidos com o crime.
Conforme o relatório policial, uma das empresas funcionava estritamente como fachada, existindo apenas no papel para a emissão de notas e circulação de transações bancárias. Já o segundo estabelecimento operava regularmente na cidade de Gravataí. Embora fizesse vendas legítimas de carros para cidadãos comuns, o local era utilizado de forma paralela para injetar e misturar o dinheiro sujo da facção.
Entre os principais alvos da investigação está um homem apontado como uma das lideranças de alto escalão do crime organizado no Rio Grande do Sul. De dentro do sistema prisional, ele utilizava essa rede financeira e comercial para garantir o fluxo de fuzis e pistolas para os seus comparsas e para ocultar o enriquecimento ilícito do bando. Os presos foram conduzidos à sede do departamento para formalização dos flagrantes e posterior encaminhamento aos presídios correspondentes.