O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou nesta segunda-feira (1º de junho) a Operação Convergência Nacional RS 01. A ofensiva ocorreu no interior da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC), considerada o estabelecimento penal mais rígido do Estado.
A ação foi realizada em parceria com a Polícia Penal e teve como foco principal interromper as linhas de comunicação clandestinas utilizadas por lideranças de facções criminosas. Os trabalhos de campo foram iniciados após um monitoramento técnico de varredura eletrônica, que conseguiu rastrear e mapear sinais ativos de aparelhos telefônicos vinculados a 16 alvos estratégicos dentro das galerias.
Durante a incursão na casa prisional, os agentes cumpriram uma série de ordens judiciais de busca e apreensão no interior de celas específicas. De acordo com as investigações conduzidas pelo Ministério Público, os detentos utilizavam os telefones celulares para gerenciar redes de tráfico de entorpecentes, ordenar homicídios e execuções de rivais, aplicar golpes de extorsão e gerenciar o fluxo financeiro das organizações.
As autoridades identificaram que o ingresso dos materiais ilícitos na PASC ocorria majoritariamente por via aérea, com o uso de drones programados para lançamentos precisos nos pátios, além de arremessos mecânicos feitos a partir do perímetro externo do complexo.
A ofensiva gaúcha faz parte de um cerco simultâneo de âmbito nacional. As ações são coordenadas pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), que articula o Ministério Público de diferentes estados brasileiros para sufocar a comunicação de facções em todo o país.
A operação marcou também o início do projeto Frequência Zero, uma nova metodologia do GAECO gaúcho para combater o uso de tecnologia celular nos presídios. A estratégia consiste em:
Mapeamento eletrônico contínuo do espectro de sinal nas unidades;
Atuação cirúrgica sobre os dispositivos identificados;
Cancelamento definitivo do código IMEI dos telefones junto às operadoras, o que inutiliza o aparelho em todo o território nacional, mesmo que os criminosos troquem o chip.
Conforme o coordenador estadual do GAECO, promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas, a meta é criar um bloqueio permanente e estabelecer um ambiente de isolamento eletrônico absoluto nos presídios. O Ministério Público reforça que, ao interromper o comando remoto das lideranças presas, o reflexo imediato é a redução dos índices de violência e criminalidade nas ruas.