As Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), grupo que engloba principalmente a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, acenderam o alerta de especialistas de saúde e autoridades globais. Estimativas compiladas pelo Ministério da Saúde apontam que essas condições crônicas afetam cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo. Paralelamente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) adverte que a incidência global das DIIs registra uma curva de crescimento contínuo desde o ano de 2004.
As DIIs se caracterizam por uma disfunção no sistema imunológico, que passa a atacar o próprio tecido do organismo, gerando um processo inflamatório agressivo e persistente no trato gastrointestinal.
Por se tratar de uma patologia que compromete o sistema digestivo, os reflexos no cotidiano do paciente são severos. Os principais sintomas clínicos que servem de aviso para a procura médica incluem:
Dor e cólica abdominal persistente;
Diarreia crônica (muitas vezes acompanhada de sangue);
Fadiga extrema e fraqueza;
Perda de peso rápida e não intencional.
Caso não sejam diagnosticadas e controladas de forma ágil, as inflamações podem evoluir para complicações anatômicas graves, exigindo intervenções cirúrgicas complexas. Entre os principais riscos estão o estreitamento do canal intestinal (estenose) e a formação de fístulas (canais anômalos de comunicação entre o intestino e outros órgãos).
O gastroenterologista Jonathas Stiff, atuante no Hospital Moinhos de Vento, esclarece que subsiste muita desinformação sobre o tema, sendo fundamental reforçar que as DIIs são de natureza autoimune, ou seja, não possuem caráter contagioso e não são transmitidas por vírus, fungos ou bactérias.
— A matriz principal para o desenvolvimento da doença é o fator genético, a predisposição hereditária do indivíduo. Contudo, fatores ambientais contemporâneos, como o estresse severo e rotinas de alimentação desequilibradas, rica em ultraprocessados, atuam como gatilhos de peso no aparecimento e na intensidade dos sintomas — explica o especialista.
Para mitigar os riscos e atuar na prevenção primária do sistema imune, o médico recomenda a adoção de hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida, incluindo o incentivo à amamentação prolongada e evitar o uso indiscriminado e sem critérios de antibióticos durante a infância.
A jornada do paciente até a descoberta da doença ainda enfrenta barreiras temporais. O protocolo de diagnóstico é complexo e envolve uma bateria de exames laboratoriais de sangue e fezes, somados a procedimentos de imagem colonoscópica e endoscópica. Em média, o parecer final médico costuma demorar mais de três meses para ser concluído após o surgimento dos primeiros sinais físicos.
Embora as Doenças Inflamatórias Intestinais ainda não tenham uma cura definitiva na medicina moderna, a evolução terapêutica garante excelente qualidade de vida aos portadores. O grande destaque atual é a "Terapia Biológica", que consiste no uso de medicamentos de alta tecnologia derivados de organismos vivos para bloquear de forma precisa as proteínas que desencadeiam o ataque imunológico.
No Brasil, todo este suporte de ponta está integrado à rede pública. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o protocolo completo de tratamento e o fornecimento gratuito dessas medicações biológicas modernas, garantindo o gerenciamento eficaz da doença, o controle dos sintomas e longos períodos de remissão das inflamações.