Dois policiais militares que atuavam em São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foram denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul por suspeita de ligação financeira com uma facção ligada ao tráfico de drogas. De acordo com a denúncia, os PMs recebiam propina mensal para proteger pontos de venda de entorpecentes e repassar informações sigilosas.
A denúncia foi formalizada na quarta-feira, 27, pela promotora de Justiça Anelise Haertel Grehs, da 2ª Promotoria Militar de Porto Alegre. Os dois brigadianos seguem presos preventivamente no sistema penitenciário militar.
Eles foram denunciados por corrupção passiva, violação de domicílio, furto qualificado, revelação de segredo funcional e lavagem de dinheiro.
Conforme o MPRS, o esquema funcionou de forma contínua entre setembro e dezembro do ano passado. Os policiais, segundo a acusação, recebiam valores mensais entre R$ 15 mil e R$ 20 mil de lideranças do tráfico.
Em troca, os agentes públicos teriam deixado de agir contra a facção, avisado sobre operações policiais e garantido proteção a locais usados para venda de drogas.
“O esquema era estruturado e contínuo, com divisão de valores, datas fixas e atuação coordenada”, afirma a promotora na denúncia.
A investigação também apontou incompatibilidade entre a remuneração dos policiais e o padrão de vida mantido por eles. O Ministério Público cita sinais de ostentação em redes sociais e na rotina dos acusados.
Além da suposta proteção ao tráfico, os dois policiais são acusados de usar fardamento e viaturas em crimes patrimoniais. Em novembro de 2025, conforme a denúncia, eles invadiram e arrombaram uma residência em São Leopoldo.
Do local, teriam sido levados dinheiro em espécie e cargas de drogas avaliadas em mais de R$ 400 mil.
Para ocultar a origem dos valores, os denunciados teriam feito depósitos fracionados, movimentações frequentes em dinheiro vivo e uso de contas bancárias em nome de terceiros.
A investigação teve apoio do Núcleo de Inteligência do MPRS, coordenado pelo promotor de Justiça André Dal Molin. O órgão obteve quebras de sigilo bancário usadas para sustentar a ação penal.
O processo agora segue no Poder Judiciário. Os policiais responderão às acusações e poderão apresentar defesa no curso da ação.