Segurança Investigação
Brigadianos presos recebiam até R$ 20 mil mensais de facção criminosa
Dois policiais militares foram denunciados por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e furto de R$ 400 mil em entorpecentes e dinheiro; agentes seguem em prisão preventiva
30/05/2026 08h47
Por: Redação
Imagem: Divulgação

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) formalizou a denúncia criminal contra dois policiais militares da Brigada Militar que atuavam no município de São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Segundo as investigações conduzidas pelo órgão, os agentes públicos mantinham um vínculo financeiro estreito com uma facção ligada ao narcotráfico, recebendo propinas robustas para blindar as atividades ilícitas da organização.

A denúncia foi assinada na última quarta-feira (27) pela promotora de Justiça Anelise Haertel Grehs, da 2ª Promotoria Militar de Porto Alegre. Os brigadianos — que seguem recolhidos em prisão preventiva no sistema penitenciário militar — responderão por uma extensa lista de crimes graves, incluindo corrupção passiva, violação de domicílio, furto qualificado, revelação de segredo funcional e lavagem de dinheiro.

Mesada do crime e ostentação

A peça acusatória do MPRS detalha que os policiais operavam um esquema criminoso estruturado e contínuo entre os meses de setembro e dezembro do ano passado. Os investigados recebiam vantagens indevidas diretamente de lideranças do tráfico de drogas, com repasses mensais que giravam entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.

Em contrapartida à "mesada", os brigadianos se omitiam do dever funcional, repassavam informações de operações sigilosas e garantiam proteção ostensiva a pontos de venda de entorpecentes do grupo.

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"O esquema era estruturado e contínuo, com divisão de valores, datas fixas e atuação coordenada", aponta a promotora Anelise Grehs. O Ministério Público também identificou uma flagrante incompatibilidade entre a remuneração oficial de soldado ou sargento dos PMs e o padrão de vida luxuoso apresentado por ambos nas redes sociais e na rotina diária.

Invasão e furto de R$ 400 mil

Além da proteção diária prestada aos traficantes parceiros, os dois brigadianos são acusados de utilizar o fardamento e viaturas estatais para praticar crimes de campo. Em novembro de 2025, os policiais invadiram e arrombaram a residência de um indivíduo em São Leopoldo. Do local, os servidores públicos subtraíram dinheiro em espécie e cargas de drogas avaliadas em mais de R$ 400 mil.

Para esconder a origem do dinheiro ilícito, os acusados recorriam a manobras clássicas de lavagem de capitais. Eles faziam movimentações bancárias fracionadas, depósitos frequentes em dinheiro vivo nas agências eletrônicas e utilizavam contas correntes em nome de "laranjas" (terceiros) para burlar a fiscalização.

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Toda a arquitetura financeira do grupo foi desmantelada graças à atuação do Núcleo de Inteligência (NIMP) do MPRS, coordenado pelo promotor de Justiça André Dal Molin, que obteve as quebras de sigilo bancário necessárias para fundamentar e robustecer a ação penal no Poder Judiciário.