A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu dois inquéritos e indiciou formalmente um professor da rede municipal de ensino de Itaqui, na Fronteira Oeste do estado, pelo crime de estupro de vulnerável. O homem é acusado de praticar atos de conotação sexual contra duas estudantes, de 12 e 13 anos, dentro de salas de aula de duas instituições diferentes do município.
No indiciamento, a autoridade policial incluiu a causa de aumento de pena pelo fato de o investigado ser preceptor das vítimas, ou seja, exercia posição de autoridade, ensino e responsabilidade direta sobre as menores.
Os abusos ocorreram entre os meses de setembro e outubro de 2025. O caso veio à tona e chegou ao conhecimento dos órgãos de segurança por meio do Conselho Tutelar, que foi acionado pelas famílias das adolescentes e pelas direções das escolas envolvidas.
De acordo com o relatório das investigações, o professor utilizava sua condição profissional e de autoridade para isolar as vítimas. Sob o pretexto de prestar “explicações pedagógicas” individuais nas classes, ele mantinha aproximação física excessiva, dirigia olhares fixos constrangedores e realizava toques inadequados e progressivos sobre os corpos das estudantes.
Depoimentos de testemunhas e de outros alunos das instituições confirmaram o padrão de abordagem do indiciado. Para quebrar a resistência das adolescentes e tentar criar um vínculo espúrio de confiança, o homem utilizava o oferecimento insistente de doces e guloseimas. Diante do pavor e do profundo abalo emocional, uma das menores chegou a deixar de frequentar a escola para não ter contato com o agressor.
Ao término das diligências, a Polícia Civil tipificou a conduta do docente no artigo 217-A do Código Penal (estupro de vulnerável), que abrange qualquer ato libidinoso ou conjunção carnal com menores de 14 anos, independentemente de haver consentimento ou violência física aparente.
O relatório final foi formalmente encaminhado ao Poder Judiciário. O caso agora está sob análise do Ministério Público (MP-RS), a quem caberá oferecer a denúncia criminal e avaliar o pedido de decretação de prisão preventiva ou de outras medidas cautelares restritivas contra o professor.
Em nota oficial, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul reiterou o compromisso permanente com a proteção integral de crianças e adolescentes, ressaltando o papel fundamental da comunidade escolar e do Conselho Tutelar na interrupção imediata de ciclos de violência.
A Prefeitura Municipal de Itaqui foi formalmente procurada pela reportagem para se manifestar sobre o afastamento administrativo do servidor e as medidas adotadas, mas não enviou resposta até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para o posicionamento do Executivo.