Lançado em setembro de 2025 com o objetivo de reduzir em 70% as maiores filas por consultas especializadas, o SUS Gaúcho está próximo de atingir a meta com pouco mais de seis meses de existência. Em oftalmologia geral adulto, a maior fila no Estado, e em ortopedia de joelho, a segunda maior, as ações ligadas ao programa ajudaram a reduzir em 62,4% a quantidade de pacientes que aguardam a primeira consulta nos primeiros três meses do programa.
Os números foram apresentados ao Conselho Consultivo do SUS Gaúcho nesta quinta-feira (28/5) pelo governador Eduardo Leite e pela secretária da Saúde, Lisiane Fagundes. Em seguida, houve uma coletiva de imprensa para detalhamento das informações. Somadas, as duas especialidades contavam com 154.704 pacientes à espera de consulta em abril de 2025, mês de referência para ações do programa. Com um investimento de R$ 130,5 milhões em 2025, foram realizados 96.531 atendimentos, levando à expressiva redução das filas.
“Não bastaria apenas aumentar a remuneração de consultas e cirurgias se os hospitais não tivessem condições de operar mais. Por isso, houve um encadeamento de ações: fortalecemos a estrutura física, ampliamos o custeio e estimulamos a contratação de novas equipes. É esse conjunto que está permitindo uma redução substancial das filas e garantindo mais acesso da população aos serviços especializados”, afirmou Leite.
Redução das filas de oftalmologia
Um dos resultados iniciais mais relevantes do SUS Gaúcho foi a redução de filas de pacientes à espera por consultas especializadas, exames e cirurgias. Em abril de 2025, havia 133.886 pacientes na fila de oftalmologia geral adulto, a maior do Rio Grande do Sul. Com a realização de mutirões em 35 hospitais e clínicas, o programa ofereceu 84.606 atendimentos, levando à redução da fila em 59%. Houve um aumento de 277% na média mensal de consultas ofertadas, que passou de 8,2 mil nos 12 meses anteriores ao SUS Gaúcho para 30,9 mil, com um pico de 36.474 consultas em novembro de 2025.
“Desde 2019, o Estado vem fortalecendo a regionalização da saúde, organizando os fluxos de atendimento e implantando sistemas de regulação, como o gerenciamento de internações hospitalares (Gerint) e de consultas com especialistas e procedimentos de alta complexidade (Gercon), que dão mais transparência sobre as filas e necessidades dos pacientes. Com esses dados, foi possível adotar medidas mais assertivas, ampliando subespecialidades com base no tamanho das filas, no tempo de espera e na capacidade da rede de atendimento”, explicou a secretária Lisiane.
Mutirões de cirurgias de joelho
No caso da ortopedia de joelho, a fila foi reduzida em 36%, passando de 20.818 pessoas em abril de 2025 para 13.291 em dezembro. Foram realizados mutirões em 56 hospitais, com a realização de 11.925 atendimentos. Já a média mensal de consultas subiu de 1,3 mil nos 12 meses anteriores ao SUS Gaúcho para cinco mil nos primeiros três meses do programa, um acréscimo de 261%, totalizando 15,1 mil consultas oferecidas.
Houve ainda aumento de 472% na média mensal de cirurgias de joelho realizadas, que passaram de uma média mensal de 201 procedimentos nos 12 meses anteriores ao SUS Gaúcho para 1,1 mil nos três primeiros meses do programa, que registraram 3,4 mil procedimentos cirúrgicos.
Em 2026, o programa incorporou novas especialidades – ortopedia geral, otorrinolaringologia, dermatologia, urologia litotripsia, cirurgia geral, urologia adulto e urologia vasectomia. Como nas demais, a meta é a redução de filas.
SUS Gaúcho
O SUS Gaúcho é um programa do governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde (SES), baseado nos princípios de regionalização, contratação de serviços de saúde focados nas necessidades da população e regulação de acesso qualificada e transparente, com fila única de pacientes baseada em critérios técnicos, como a prioridade para os casos mais urgentes.
Até o final de 2026, o programa prevê um investimento total de R$ 1,1 bilhão na rede de saúde do Estado, além dos recursos previstos no orçamento. Ainda que o principal objetivo seja a redução de filas no atendimento especializado, o programa também busca fortalecer o atendimento de urgência e emergência, o Programa Assistir, bem como os serviços de saúde mental e de reabilitação física.
“O que estamos mostrando aqui é o resultado de uma política pública estruturada, construída a partir da recuperação da capacidade do Estado de investir e de apoiar a rede hospitalar. Primeiro, colocamos os pagamentos em dia e quitamos dívidas históricas. Depois, passamos a investir na qualificação das estruturas hospitalares, permitindo que hospitais ampliassem sua capacidade de atendimento com novos blocos cirúrgicos, equipamentos e serviços”, ressaltou o governador.
“O SUS Gaúcho chegou para multiplicar os investimentos, corrigindo o passivo histórico de aplicação na área, e atacando a redução de filas nas especialidades que mais eram demandas. Isso é gestão fazendo diferença direta na vidas dos gaúchos”, complementou Leite.
Ampliando as frentes de atuação
O programa ainda tem como objetivos, incrementar o transporte intermunicipal de pacientes e o atendimento domiciliar, reforçar a prestação de serviços nos hospitais municipais e nos hospitais de pequeno porte (com até 50 leitos), incentivando o atendimento local da população, e realizar aportes para a linha de cuidado materno-infantil. Até 2030, o investimento do Estado pelo programa deverá atingir R$ 6,7 bilhões.
Um comitê consultivo – que reúne representantes da SES, do Ministério Público e de entidades como a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), Conselho Estadual de Saúde e Federação das Santas Casas – alinhou as ações e os serviços que seriam priorizados pela destinação de recursos.
“O SUS Gaúcho foi construído em diálogo com municípios, hospitais, entidades representativas e Ministério Público para se tornar uma política permanente de Estado. Queremos assegurar continuidade a esse esforço, independentemente dos governos que vierem pela frente, porque enfrentar as filas da saúde é uma das maiores demandas da população gaúcha e precisa permanecer como prioridade”, finalizou a secretária Lisiane.
Texto: Alexandre Rodrigues/Ascom SES
Edição: Secom