Um padre de 44 anos foi condenado a 18 anos e 11 meses de prisão em regime inicialmente fechado pelos crimes de estupro de vulnerável e armazenamento de pornografia infantil no município de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A sentença foi proferida na terça-feira (26) pela juíza Andreia da Silveira Machado, titular da 1ª Vara Criminal da comarca local. Devido à natureza do crime e para resguardar a identidade da vítima, o processo tramita em segredo de Justiça.
Os abusos sexuais foram cometidos entre os meses de maio e agosto de 2024. Conforme a denúncia do Ministério Público, os atos de violência ocorriam no interior da casa paroquial da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, local onde o sacerdote residia e exercia suas atividades religiosas.
A vítima do condenado é uma menina que tinha apenas 9 anos na época do início dos crimes. Na fundamentação da sentença, a magistrada chamou a atenção para a estratégia fria utilizada pelo criminoso para consumar os abusos:
A juíza ressaltou que o acusado se aproveitou do contexto trágico das enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul para se aproximar da família e criar um forte vínculo com a criança. O réu utilizou-se de sua posição de extrema confiança espiritual e autoridade religiosa para encobrir a relação inadequada e excessiva que mantinha com a menor.
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Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência do religioso, os policiais civis localizaram um pen drive de uso pessoal escondido entre os pertences do réu. A perícia técnica realizada no dispositivo eletrônico constatou o armazenamento de farto material com conteúdo pornográfico infanto-juvenil.
A defesa do padre tentou desqualificar as acusações alegando supostas contradições e inconsistências no depoimento da vítima. O argumento foi refutado pela magistrada, que enfatizou a robustez do conjunto probatório reuniu laudos periciais e depoimentos testemunhais firmes. A juíza relembrou que a dinâmica de crimes sexuais contra crianças ocorre de forma gradual e complexa, com manipulação psicológica.
Procurada para se manifestar sobre a condenação na esfera civil, a Arquidiocese de Porto Alegre informou, por meio de nota oficial, que o padre já havia sido formalmente afastado de todas as suas funções eclesiásticas e pastorais logo após o surgimento das primeiras denúncias. A instituição expressou respeito pelas decisões do Poder Judiciário. A defesa do réu não foi localizada pela reportagem para comentar a decisão, mas o espaço segue aberto para futuras manifestações.