Crianças do interior de Bento Gonçalves estão enfrentando caminhadas no escuro, frio e sem iluminação para conseguir chegar ao transporte escolar nas primeiras horas da manhã. O relato foi levado ao programa Ponto & Vírgula, do NB Notícias, e gerou forte repercussão entre moradores da cidade.
Segundo Rodrigo Ramos, pai das crianças, os menores precisam percorrer cerca de 500 a 600 metros até o ponto onde a van escolar consegue acessar. Entre eles estaria uma criança de apenas 4 anos. O problema todo se dá porque a Secretaria Municipal de Educação não autoriza o motorista da van descer até o local da residência dos estudantes para buscá-los. Ramos revela que o motorista já se prontificou para buscar as crianças, porém, precisa autorização da SMED, o que a família não conseguiu até o momento.
O trajeto acontece antes do amanhecer, em uma estrada sem iluminação pública e cercada por vegetação. Em dias de chuva e frio intenso, o pai afirma que as crianças acabam faltando às aulas por causa das dificuldades enfrentadas no caminho. "Recebo áudios da escola, querendo saber porque eles ficam vários dias sem ir nas aulas. Sei que sou o responsável, mas essa situação é desumana", destaca ele.
De acordo com os relatos apresentados durante o programa, o motorista da van não estaria autorizado a descer até algumas residências da localidade. Com isso, famílias precisam acompanhar os filhos a pé até o ponto de embarque ainda durante a madrugada.
A situação gerou indignação entre os debatedores. Durante o programa, a debatedora Fernanda Juliana classificou o caso como “inadmissível” e questionou a falta de atenção ao transporte escolar no interior do município. Vinícius Boniatti, outro debater do programa, lembrou que é obrigatório o município zelar pelos cuidados e segurança com as crianças, principalmente na questão do transporte escolar.
O tema reacendeu discussões sobre a gestão feita pela SMED com os problemas das dfamílias e as condições do transporte escolar em Bento Gonçalves, especialmente em comunidades mais afastadas da área urbana. Famílias defendem que haja uma reavaliação das rotas para evitar que crianças pequenas precisem enfrentar longas caminhadas antes de chegar à escola.