A colheita de bergamota na Serra Gaúcha projeta uma recuperação histórica e um crescimento expressivo para este ano. A estimativa oficial aponta para uma produção próxima de 28.000 toneladas, volume que supera com folga as cerca de 16.000 toneladas colhidas no ciclo anterior, que havia sido severamente castigado por adversidades climáticas.
Conforme o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, Thompsson Didoné, o trabalho nos pomares ainda está em fase inicial. Neste momento, os agricultores estão focados na retirada das variedades precoces, como Okitsu, Satsuma, Pareci e Rainha. Por se tratar do começo dos trabalhos, muitas frutas colhidas ainda apresentam uma coloração levemente esverdeada na casca, uma característica natural desta etapa. O calendário de colheita, que engloba as variedades médias e tardias (como a tradicional Montenegrina), deve se estender e ganhar força entre os meses de julho e setembro.
Os técnicos da Emater explicam que o clima típico do outono e do inverno no Rio Grande do Sul é o cenário ideal para o desenvolvimento do citros:
"A grande amplitude térmica — dias ensolarados combinados com noites e madrugadas geladas — é o fator principal que estimula a pigmentação alaranjada da casca e eleva o índice de açúcar (dulçor) característico da bergamota gaúcha."
Continua após a publicidade
Embora produtores que não possuem sistemas de irrigação tenham relatado focos isolados de pragas devido a períodos de baixa incidência de chuvas, a qualidade geral da safra é considerada excelente e dentro dos padrões de normalidade de mercado.
A força da citricultura regional está distribuída em pequenas propriedades familiares que abastecem o mercado interno e a agroindústria:
Área cultivada: Cerca de 1.150 hectares de pomares.
Produtores: Atividade envolve 760 propriedades rurais.
Polos de Produção: O escritório regional da Emater atende 50 municípios, tendo como os principais expoentes na produção as cidades de Veranópolis, Cotiporã, Antônio Prado e Caxias do Sul.