O Rio Grande do Sul entrou oficialmente em nível de alerta epidemiológico devido ao aumento expressivo no número de hospitalizações causadas pela Influenza A. Os dados foram divulgados no mais recente Boletim InfoGripe, desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O relatório técnico, que toma como base os dados consolidados da Semana Epidemiológica 19, aponta um crescimento sustentado nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) tanto em território gaúcho quanto no cenário nacional.
Os pesquisadores da Fiocruz destacam que o panorama atual é alimentado por dois cenários distintos dependendo da faixa etária:
Crianças pequenas: Apresentam a maior taxa de incidência de SRAG, porém os casos nesta faixa estão majoritariamente associados ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Adultos e Idosos: O crescimento das internações é impulsionado de forma contundente pelo vírus da Influenza A, sendo que a taxa de mortalidade pela doença se concentra de forma mais severa na população idosa.
A análise geográfica revela que a crise respiratória não é exclusiva dos gaúchos. Estados como Paraná e Tocantins também enfrentam curvas ascendentes de internações por Influenza A. Atualmente, com exceção de Rondônia, todas as unidades federativas do Brasil encontram-se em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG. O Rio Grande do Sul e a capital, Porto Alegre, fazem parte do grupo de 18 estados que mostram indícios claros de crescimento na tendência de longo prazo.
De acordo com a pesquisadora Tatiana Portella, integrante do comitê do InfoGripe, o momento exige ações preventivas severas. Mesmo diante de uma baixa circulação de casos de Covid-19, ela reforça a urgência da vacinação contra a Influenza A e do acompanhamento médico para o VSR, focando especialmente nos grupos de maior vulnerabilidade social e biológica.
Até o fechamento da Semana Epidemiológica 19 de 2026, o Brasil já havia notificado 63.634 casos de SRAG, dos quais 46,4% testaram positivo para algum vírus respiratório. Desse montante de exames positivos, a Influenza A respondeu por 24,5% das infecções registradas nas últimas quatro semanas, consolidando o avanço do vírus com a proximidade dos meses mais frios do ano.