O vereador de Estância Velha Professor Marcelinho Stoffel, do partido Cidadania, usou a sessão da Câmara Municipal desta terça-feira (19 de maio) para se manifestar publicamente e declarar-se totalmente inocente. O parlamentar é um dos alvos de uma contundente investigação criminal coordenada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que apura a existência de um esquema de ameaças graves e tentativa de corrupção contra outros vereadores do próprio município do Vale do Sinos.
A ofensiva, batizada de Operação Expropriatus, foi deflagrada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo na última sexta-feira (15). Na ocasião, os agentes cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em endereços de Estância Velha e Novo Hamburgo. Em um discurso emocionado na tribuna, Stoffel desabafou sobre a abordagem policial em sua residência, classificando o episódio como um choque e algo inadmissível para a sua rotina familiar, relatando ainda o abalo psicológico de sua filha diante da chegada dos policiais civis nas primeiras horas da manhã.
De acordo com as informações detalhadas pelo delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior, o principal articulador do grupo criminoso seria o ex-vereador Emerson Fernando Lourenço, o Fernandinho. O objetivo central da quadrilha era pressionar e coagir parlamentares para impedir qualquer tipo de interferência ou fiscalização legislativa na compra de um prédio comercial de mais de R$ 7 milhões por parte do Executivo Municipal. O imóvel em questão é destinado à instalação da Secretaria de Saúde da cidade.
A Prefeitura de Estância Velha informou que a aquisição imobiliária ocorreu de forma legal por meio de decreto administrativo, sem a obrigatoriedade de votação ou aprovação do plenário da Câmara. No inquérito da Draco, o Professor Marcelinho Stoffel é suspeito de atuar como o facilitador do grupo, abrindo canais de aproximação com os vereadores que seriam pressionados. O parlamentar reiterou que não deve nada à Justiça e que confia plenamente no trabalho dos advogados para que sua inocência seja cabalmente comprovada ao longo do andamento do processo. A Polícia Civil segue analisando os celulares, computadores e documentos apreendidos.