Rio Grande do Sul Desenvolvimento
RS tem duas cidades no Top 20 do Brasil em ranking de Progresso Social
Cidades gaúchas conquistam posições de destaque no IPS Brasil 2026; eficiência em saneamento e saúde básica impulsiona notas, mas dimensão de oportunidades escancara desigualdades no RS
20/05/2026 13h59 Atualizada há 2 horas
Por: Redação
Foto: Reprodução

O Rio Grande do Sul emplacou dois municípios no seleto grupo das 20 melhores cidades do país no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026. O levantamento nacional, que realiza uma auditoria multidimensional nos 5.570 municípios brasileiros, apontou que a cidade de Presidente Lucena conquistou a 13ª posição nacional, cravando 71,05 pontos. Logo em seguida, no mesmo bloco de elite, o município de Alto Alegre garantiu o 16º lugar no país, com uma pontuação média de 70,86 pontos.

O IPS é considerado um dos termômetros mais refinados da realidade social e ambiental do país, cruzando um ecossistema de 57 indicadores consolidados. Diferente do PIB, o índice ignora variáveis estritamente econômicas e foca no que chega na ponta para o cidadão, dividindo os pesos em três macrodimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades.

O raio-x do desempenho das potências gaúchas

O ótimo posicionamento do Rio Grande do Sul no topo da tabela foi pavimentado por uma rede de municípios de pequeno porte que registraram notas equilibradas. Além das duas cidades no Top 20, municípios como Picada Café, Nova Boa Vista e Vista Gaúcha despontaram com as melhores avaliações do ranking estadual.

Analisando o comportamento dos dados nas três dimensões, o desempenho gaúcho estruturou-se da seguinte forma:

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Fórmula do sucesso em Presidente Lucena

Com uma população estimada em 3 mil habitantes, o município de Presidente Lucena, localizado na Região das Hortênsias e de forte matriz cultural de colonização alemã, serve como modelo de estudo de caso para o IPS.

A economia local, ancorada na força da indústria calçadista e no cooperativismo da agropecuária familiar, criou um fenômeno raro no país: o município possui mais vagas de emprego com carteira assinada do que mão de obra disponível residente. O cenário de pleno emprego associado a um índice de desigualdade social quase nulo foram os fatores de maior peso para catapultar a cidade à 13ª colocação nacional.

Desigualdade interna: o paradoxo do RS

No fechamento do mapa geral, o Rio Grande do Sul posicionou-se na 10ª colocação entre as 27 unidades da federação, obtendo uma nota média de 63,39 pontos — um desempenho tecnicamente empatado com a média nacional, estipulada em 63,40 pontos.

Embora o dado global pareça modesto, o IPS revelou uma forte assimetria e desigualdade regional interna dentro das fronteiras gaúchas. Por um lado, 312 dos 497 municípios do estado (63% das cidades) figuram nos melhores grupos de classificação do IPS, ostentando excelente qualidade de vida. Por outro, o peso da balança expõe o contraste: enquanto 182 municípios conseguiram superar ou empatar com a média brasileira, uma fatia expressiva de 315 cidades gaúchas encerrou o ano de 2026 abaixo da média nacional de progresso social, evidenciando que metade sul e periferias urbanas ainda demandam aportes urgentes em infraestrutura de dignidade humana.