A patrulha ostensiva da Guarda Civil Municipal (GCM) prendeu em flagrante na manhã desta quarta-feira (20 de maio) um homem de 40 anos pelos crimes de perseguição (stalking), perturbação do sossego alheio e violência doméstica. A prisão ocorreu nas proximidades de uma instituição de ensino localizada no bairro Ouro Verde, em Bento Gonçalves.
O caso vinha se desenhando desde o dia anterior, terça-feira (19), quando o homem passou a cercar e perseguir a ex-companheira, uma mulher de 49 anos, dentro e fora de seu ambiente de trabalho. Diante do risco iminente, a vítima deslocou-se até a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) para registrar um boletim de ocorrência e solicitar formalmente a concessão de Medidas Protetivas de Urgência respaldadas pela Lei Maria da Penha. Mesmo ciente do trâmite legal, o agressor ignorou as ordens judiciais e manteve o cerco à vítima.
Na manhã desta quarta, a central de operações da GCM recebeu uma denúncia anônima via telefone de emergência informando que o indivíduo havia retornado ao local e estava postado em frente a um colégio do bairro, forçando uma abordagem e tentando contato físico com a mulher a todo custo.
Viaturas da Guarda Civil foram despachadas imediatamente para a região. Os agentes interceptaram e deram voz de prisão ao suspeito nas redondezas da escola. O homem foi algemado e conduzido novamente para a DPPA. O delegado plantonista validou os relatos e determinou a lavratura do auto de prisão em flagrante sem direito à fiança (devido ao descumprimento das medidas restritivas). O homem foi encaminhado à Penitenciária Estadual de Bento Gonçalves, onde permanece trancafiado à disposição do Poder Judiciário.
O desdobramento do crime revela o severo impacto psicológico sofrido pelas vítimas de violência doméstica. A mulher, que é natural do Estado da Bahia e residia há alguns anos em Bento Gonçalves, confessou aos guardas e assistentes sociais que está em pânico e sente que sua vida corre risco real na Serra Gaúcha.
Abalada e temendo que o ex-companheiro consiga reaver a liberdade provisória nas próximas semanas, ela tomou a drástica decisão de abandonar o Rio Grande do Sul e retornar definitivamente para o seu estado de origem no Nordeste, onde busca o acolhimento e a proteção de seus familiares. A Guarda Civil Municipal reiterou em nota que mantém o monitoramento preventivo da Patrulha Maria da Penha e orienta que qualquer cidadão que presencie cenas de agressão ou perseguição contra mulheres acione socorro imediato por meio do telefone de emergência 153.