Economia Gestão de Pessoas
Beto Carrero adota escala 4x2 para atrair talentos e planeja dobrar equipe
Maior parque temático da América Latina aposentou a escala 6x1; mudança elevou custos da folha de pagamento em até 35%, mas reduziu reclamações e melhorou atendimento
20/05/2026 09h04
Por: Redação
Alex Murad, CEO do Beto Carrero World: 'Não é uma questão de falta de vontade de trabalhar, mas de enxergar o trabalho de uma forma diferente, com mais flexibilidade e qualidade de vida'. (Foto: Leandro Fonseca)

O Beto Carrero World, maior parque temático da América Latina e o mais visitado do Brasil, implementou uma mudança radical em sua política de recursos humanos para solucionar um dos maiores gargalos do setor de entretenimento e turismo: a retenção e atração de mão de obra qualificada. A empresa decidiu aposentar em definitivo a tradicional jornada 6x1 e adotou a escala de trabalho 4x2.

A iniciativa, que começou a ser desenhada de forma gradual em 2024, coloca o parque à frente das discussões nacionais sobre a flexibilização das jornadas de trabalho. Segundo o CEO da companhia, Alex Murad, o novo modelo foca diretamente no bem-estar físico e mental da equipe, sendo considerado o padrão de governança para o futuro do setor.

Como funciona a escala 4x2 no parque

Diferente dos modelos corporativos tradicionais que acompanham o calendário civil da semana, a escala 4x2 funciona em um formato de revezamento contínuo:

Para fazer o modelo rodar sem interromper o funcionamento diário das atrações, o Beto Carrero estruturou seus departamentos operacionais em três grupos distintos: enquanto duas equipes estão ativas no parque, uma terceira está usufruindo do período de descanso.

A transição começou pelas áreas de linha de frente, como a operação de brinquedos e o atendimento direto ao público. Diante dos resultados expressivos, a escala foi estendida para os setores de alimentos, bebidas e lojas de varejo internas.

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Reflexo no bolso e na satisfação do visitante

A flexibilização exigiu investimentos pesados na estrutura financeira da empresa. Para cobrir as folgas sem desfalcar os postos de trabalho, o Beto Carrero aumentou em cerca de um terço o número de funcionários por área, o que gerou um incremento de 25% a 35% nos custos com a folha de pagamento.

Apesar do encarecimento da folha, a diretoria avalia que o retorno operacional compensou o aporte. Funcionários mais descansados passaram a registrar um índice significativamente menor de erros operacionais e de turnover (rotatividade de pessoal).

A mudança refletiu diretamente na ponta final: o parque registrou um salto expressivo no volume de elogios formais deixados pelos visitantes no serviço de atendimento, destacando a postura mais acolhedora, atenta e bem-humorada das equipes na recepção do público.

"A nova geração busca um equilíbrio real entre a vida pessoal e o trabalho. Não é falta de vontade de trabalhar, é uma visão diferente que exige flexibilidade e qualidade de vida. Esse é o futuro e veio para ficar", ressalta Alex Murad.

Expansão bilionária e a meta de dobrar a equipe

A reformulação trabalhista serve como base de sustentação para um plano ousado de crescimento. O Beto Carrero World comemora seus 35 anos de história anunciando um macroprojeto de expansão orçado em R$ 2 bilhões.

A meta da companhia é saltar dos 2,9 milhões de turistas registrados em 2025 para 5 milhões de visitantes anuais no prazo de quatro anos. O plano inclui:

Para dar suporte a essa nova estrutura, a empresa precisará dobrar o tamanho do seu quadro de funcionários atuais ao longo dos próximos ciclos de inauguração. Além da escala 4x2, o parque estuda implementar uma carteira de opções contratuais flexíveis — incluindo turnos reduzidos de 6 horas diárias — com o objetivo de atrair estudantes universitários e profissionais da terceira idade que desejam manter-se ativos no mercado de trabalho com jornadas adaptadas.