Geral Habitação
RS lidera reclamações do Minha Casa, Minha Vida na Caixa
Dados obtidos via LAI apontam quase 1,5 mil notificações no estado entre 2024 e 2025; problemas estruturais como infiltração e mofo mobilizam ações judiciais em Gravataí
19/05/2026 20h10 Atualizada há 2 horas
Por: Redação
Foto: Reprodução

O Rio Grande do Sul assumiu o topo do ranking nacional em volume de contestação de qualidade habitacional popular. Dados revelam que, entre os anos de 2024 e 2025, o estado registrou 1.493 reclamações formais junto ao sistema da Caixa Econômica Federal apontando defeitos e vícios de construção em imóveis vinculados ao programa federal Minha Casa, Minha Vida.

Apesar do elevado volume de alertas emitidos pelos mutuários — englobando falhas graves como infiltrações crônicas, umidade ascendente, mofo severo e desalinhamento ou rachaduras em telhados —, o desfecho administrativo tem gerado frustração. A Caixa Econômica Federal classificou 92% de todas as queixas gaúchas como "improcedentes". Como reflexo desse filtro rigoroso, apenas quatro casos em todo o estado resultaram na aplicação de penalidades contratuais ou multas contra as construtoras responsáveis pelos projetos.

O drama do Residencial Breno Garcia em Gravataí

Um dos epicentros dessa crise estrutural fica na Região Metropolitana de Porto Alegre. O Residencial Breno Garcia, em Gravataí, concentrou sozinho 298 reclamações, despontando como um dos condomínios com maior índice de problemas construtivos relatados em todo o território nacional.

No local, a deterioração das paredes e tetos ultrapassou a esfera do prejuízo material e transformou-se em um problema de saúde coletiva, com moradores relatando o agravamento de doenças respiratórias crônicas, especialmente em crianças e idosos, devido à forte presença de fungos gerados pela umidade.

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"A situação fica impraticável em dias de chuva intensa. A água mina pelas paredes e o cheiro de mofo toma conta de tudo. Nós queremos apenas a nossa casa em condições dignas de uso, sem essa frustração diária", desabafa Maria Teresa Borges do Nascimento, moradora do residencial desde 2019, que precisou acionar o Poder Judiciário para tentar obter reparos.

Prazos legais e a defesa da Caixa

A batalha jurídica em torno do Breno Garcia já ganha contornos coletivos. A advogada Crislaine Bozzetti, que assumiu a representação legal de cerca de 200 famílias afetadas no residencial, sustenta que os laudos técnicos evidenciam falhas de execução e de materiais desde a planta original.

A especialista faz um alerta importante aos beneficiários do programa sobre os prazos legais para buscar reparação na Justiça:

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Em nota de esclarecimento, a Caixa Econômica Federal defendeu seus protocolos, informando que disponibiliza canais oficiais permanentes (como o programa De Olho na Qualidade) para acolher as demandas.

O banco estatal justificou o alto índice de improcedência alegando que a maioria das vistorias técnicas constatou que os chamados foram abertos após o vencimento do prazo de garantia contratual ou que os danos decorreram da falta de manutenção preventiva por parte dos próprios proprietários, eximindo as empreiteiras de culpa na esfera administrativa.