A Delegacia de Polícia Especializada de Proteção e Defesa do Meio Ambiente (DEMA) da Polícia Civil concluiu, nesta segunda-feira (18), o inquérito que apurava as circunstâncias da morte de um cervo na Zona Sul de Porto Alegre. A investigação criminal confirmou que o animal silvestre morreu devido a uma severa miopatia de captura, um quadro de colapso muscular generalizado desencadeado por estresse físico e psicológico extremo, após o animal atravessar o Lago Guaíba a nado.
O caso ocorreu no dia 15 de abril, quando o cervo foi avistado desorientado e ferido transitando por ruas do bairro Menino Deus, mobilizando moradores e equipes de resgate da Patrulha Ambiental (Patram). Apesar de receber atendimento, o bicho não resistiu e faleceu logo em seguida.
De acordo com o delegado titular da DEMA, Gustavo Brentano, as hipóteses de crime ambiental, abandono ou maus-tratos provocados por intervenção humana direta foram totalmente descartadas. A elucidação do caso baseou-se em um robusto conjunto de provas, incluindo o rastreamento por câmeras de monitoramento, oitiva de testemunhas e o laudo de necropsia médica veterinária.
Os principais fatores que comprovaram que o cervo vivia em ambiente 100% selvagem foram:
Estado Clínico: Perfeito estado nutricional e ausência completa de marcas ou deformidades nos cascos, o que é comum em bichos criados presos em pisos de cativeiro;
Dieta: A análise estomacal demonstrou uma alimentação estritamente compatível com a vegetação de vida livre;
Procedência: A polícia concluiu que o habitat natural de onde o animal partiu é a região de matas nativas e ilhas do município de Eldorado do Sul, na Região Metropolitana, de onde ele teria nadado em fuga até a margem da capital.
O laudo de necropsia apontou ainda que o cervo apresentava uma série de lesões profundas na região do pescoço. O mistério sobre esses machucados foi desfeito após a análise das imagens de segurança de um condomínio residencial do bairro Menino Deus.
Os vídeos mostraram que, logo após conseguir sair das águas do Guaíba exausto, o cervo foi acuado e sofreu um ataque de cães que circulavam pelo local. A agressão dos cachorros, somada à exaustão física da travessia a nado por quilômetros e o barulho do tráfego urbano de Porto Alegre, elevou os níveis de cortisol e adrenalina do animal, gerando o quadro irreversível de miopatia.
Com a comprovação científica de que a morte decorreu de uma fatalidade provocada por fatores estritamente naturais e instintivos da fauna, a Polícia Civil deu o caso por encerrado e arquivou o procedimento, sem o indiciamento de nenhum suspeito.