A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma importante ampliação terapêutica no mercado farmacêutico brasileiro. Conforme estabelecido pela Resolução nº 1.991/2026, publicada no Diário Oficial da União, o medicamento de alta complexidade Enhertu (trastuzumabe deruxtecana) recebeu o aval para uma nova indicação: o uso associado ao anticorpo monoclonal pertuzumabe como tratamento de primeira linha.
O protocolo combinado é direcionado especificamente a pacientes adultos diagnosticados com câncer de mama HER2-positivo avançado, englobando quadros clínicos classificados em duas categorias de alta gravidade:
Irressecáveis: Tumores cuja localização ou extensão impedem a remoção completa por meio de intervenções cirúrgicas convencionais;
Metastáticos: Casos em que a doença já se disseminou a partir das mamas para outros órgãos ou tecidos do corpo.
O câncer de mama é a neoplasia mais comum e a principal causa de mortalidade entre as mulheres no Brasil. O subtipo caracterizado pela superexpressão da proteína HER2 abrange cerca de 20% de todos os diagnósticos da doença.
Na comunidade oncológica, este perfil tumoral é amplamente conhecido por sua agressividade biológica, apresentando uma velocidade de multiplicação acelerada, prognósticos historicamente menos favoráveis e um elevado risco de progressão sistêmica rápida quando comparado a tumores HER2-negativos.
O parecer favorável da Anvisa para a liberação do tratamento combinado baseou-se nos resultados consolidados de testes clínicos internacionais de Fase 3. Os dados estatísticos apresentados pelas desenvolvedoras (Daiichi Sankyo e AstraZeneca) apontaram vantagens médicas robustas:
Os estudos científicos evidenciaram uma melhora clinicamente relevante e estatisticamente significativa na sobrevida livre de progressão (SLP) da doença. Na prática, a combinação dos dois medicamentos conseguiu travar o avanço do tumor por um período substancialmente maior do que as terapias padrão anteriores.
Embora o câncer de mama metastático ainda seja considerado uma condição médica incurável e um complexo desafio de saúde pública, a introdução desse novo esquema terapêutico no arsenal dos oncologistas renova as perspectivas clínicas, oferecendo maior tempo de controle da enfermidade com foco na preservação da qualidade de vida dos pacientes.