A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) e órgãos de vigilância epidemiológica municipal iniciaram uma investigação detalhada para apurar as causas da internação de uma menina de 10 anos na cidade de Natal (RN). A família da criança levantou a suspeita de que o quadro de infecção generalizada e sintomas neurológicos/motores possa estar associado ao uso de um detergente de pratos da marca Ypê pertencente aos lotes recentemente interditados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Os primeiros sintomas manifestaram-se na semana passada, quando a criança passou a sofrer com fortes coceiras generalizadas, manchas avermelhadas espalhadas pela pele e crises de falta de ar. O quadro clínico evoluiu rapidamente para uma perda de força muscular severa nos membros inferiores, deixando a menina temporariamente sem conseguir caminhar.
Antes de conseguir uma vaga hospitalar definitiva, a paciente passou por uma peregrinação em unidades de saúde, recebendo os primeiros suportes emergenciais na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Pajuçara, localizado na Zona Norte da capital potiguar.
Devido à complexidade dos sintomas e à necessidade de acompanhamento especializado, a criança permaneceu sob observação na UPA até a última quarta-feira (13), quando foi autorizada a sua transferência para o Hospital Infantil Varela Santiago, uma unidade de referência em pediatria na região. De acordo com o último boletim médico e relatos da mãe, o estado de saúde da menina é considerado estável, e ela já apresentou melhora progressiva, conseguindo recuperar os movimentos e voltar a andar.
O corpo clínico do hospital confirmou que o diagnóstico principal aponta para uma infecção bacteriana ativa. Contudo, os médicos e as autoridades de saúde enfatizaram que ainda não há qualquer confirmação técnico-científica oficial de que o agente infeccioso tenha sido transmitido pelo sabão líquido investigado. A família informou que guardou a embalagem do produto utilizado na residência para que ele seja recolhido e submetido a análises laboratoriais de contraprova.
A suspeita dos pais ganhou repercussão após os alertas emitidos pela Anvisa a respeito do risco de contaminação microbiológica pela bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes específicos de produtos de limpeza da Ypê com numeração final 1. Em posicionamento oficial, a agência reguladora informou que está em contato direto com a vigilância local para coletar dados e monitorar o desfecho do caso em Natal. O órgão federal reforçou a recomendação expressa contida na Resolução 1.834/2026 para que a população interrompa imediatamente o uso de qualquer desinfetante ou lava-louças da marca que possua o lote finalizado com o número 1.
A Secretaria Municipal de Saúde de Natal declarou em nota que prestou toda a assistência médica necessária durante o período em que a paciente esteve na UPA de Pajuçara. Os laudos laboratoriais que colheram amostras de sangue da menor devem ser concluídos nos próximos dias para isolar a bactéria e determinar a verdadeira origem da contaminação.