O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) alcançou uma marca histórica para a segurança pública e a gestão de desastres. Após a realização da Certificação Nacional de Cães de Busca, Resgate e Salvamento, ocorrida entre os dias 4 e 8 de maio em Novo Hamburgo, o Estado assumiu a 3ª posição no ranking nacional do Comitê de Busca, Resgate e Salvamento com Cães (Conabresc). Com o novo balanço, o Rio Grande do Sul fica atrás apenas do Mato Grosso, que lidera o ranking em 1º lugar, e do Paraná, na 2º colocação.
Coordenado pela Câmara Técnica de Cinotecnia, o evento reuniu 16 binômios — termo técnico que define a dupla indissociável formada pelo bombeiro militar condutor e seu cão de serviço. Ao final de uma semana de testes exaustivos, nove binômios alcançaram a aprovação máxima: sete pertencentes ao Rio Grande do Sul e dois vindos do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. A partir de agora, os profissionais e animais certificados contam com credencial oficial para atuar em missões de alta complexidade em qualquer região do território nacional.
Para obter o selo de homologação do Conabresc, os cães e seus condutores foram submetidos a uma bateria de avaliações alinhadas aos mais rígidos padrões operacionais do país:
Avaliação Médico-Veterinária: Etapa eliminatória inicial que atestou as condições sanitárias, a saúde clínica e o bem-estar físico geral de cada animal.
Habilidades Fundamentais: Prova prática que mediu valências como agilidade extrema, destreza, obediência estrita aos comandos do condutor, resistência física e capacidade de superação de obstáculos em terrenos instáveis.
Prova Final de Busca: Exercícios de varredura real divididos em três frentes específicas: busca rural de pessoa viva, busca rural de restos mortais e busca rural por odor específico (quando o cão fareja uma peça de roupa para localizar uma vítima específica).
O sucesso operacional desse tipo de policiamento técnico exige anos de investimentos e uma sinergia perfeita entre o homem e o animal. A coordenadora da certificação no Estado, major Karyn Savegnago de Oliveira — integrante do 2º Batalhão de Bombeiro Militar de São Leopoldo —, detalha que o treinamento transforma o comportamento natural do cão em uma ferramenta científica de salvamento.
"O cão deve ter um vínculo muito forte com seu condutor. Portanto, ele já é totalmente acostumado com o bombeiro. São verdadeiros parceiros. O cão bombeiro militar é treinado para procurar uma pessoa que nunca viu, em um lugar onde ele nunca esteve antes", pontuou a coordenadora.
A aprovação nesta chancela nacional valida não apenas o faro e o adestramento técnico, mas também atributos psicológicos essenciais para o trabalho sob estresse, como a coragem do animal diante de ruídos e fumaça, o autocontrole em situações adversas e o condicionamento físico para enfrentar longas jornadas em cenários de desastres estruturais ou matas fechadas.