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Fórum Estadual do Comércio coloca competitividade no centro do debate no RS
Evento da Federação Varejista reuniu lideranças políticas e econômicas em Porto Alegre para discutir reforma tributária, logística, crédito, bets e escala 6x1.
17/05/2026 08h29 Atualizada há 2 horas
Por: Marcelo Dargelio

A segunda edição do Fórum Estadual do Comércio reuniu lideranças políticas e econômicas nesta sexta-feira, 15, no Hotel De Ville Prime, em Porto Alegre, para discutir pautas que impactam diretamente a competitividade do varejo gaúcho. Promovido pela Federação Varejista do Rio Grande do Sul, o encontro tratou de temas como reforma tributária, logística, crédito e inadimplência, apostas online, produtividade e a proposta de fim da escala 6x1.

Na abertura, o presidente da entidade, Ivonei Pioner, afirmou que o evento foi organizado para buscar soluções para o desenvolvimento econômico e social do país. Ele criticou medidas que classificou como eleitoreiras e citou os impactos da taxação de importações, da expansão das bets e das discussões sobre mudanças na jornada de trabalho sobre empresas, trabalhadores e famílias.

Debates demonstraram a postura da Federação Varejista do RS em relação às medidas do governo

 

Ao longo do dia, o fórum reuniu parlamentares e especialistas em seis painéis. Participaram os deputados federais Any Ortiz, Lucas Redecker e Marcel van Hattem, os deputados estaduais Felipe Camozzato, Guilherme Pasin, Joel Wilhelm, Rodrigo Lorenzoni e Tiago Simon, além do economista Marcos Cintra, do ex-prefeito de Bento Gonçalves Diogo Siqueira e do sócio-fundador da agência Critério, Cléber Benvegnú.

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A diretora de Relações Institucionais e Governamentais da Federação, Clarice Strassburger, defendeu o diálogo entre iniciativa privada e poder público como caminho para reduzir burocracias e melhorar o ambiente de negócios. O secretário estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Fabricio Guazzelli Peruchin, representou o governo do Estado e apresentou dados do Devolve ICMS, programa que já repassou mais de R$ 1 bilhão a famílias em situação de vulnerabilidade desde 2021.

No painel sobre geopolítica e tecnologia, Cléber Benvegnú afirmou que o comércio sente de forma rápida os reflexos de decisões políticas e econômicas. Felipe Camozzato destacou o alto custo logístico no Rio Grande do Sul e defendeu investimentos em infraestrutura. Marcel van Hattem concentrou sua fala na defesa de maior liberdade econômica e menor intervenção estatal.

A reforma tributária foi tratada pelo economista Marcos Cintra, que apresentou uma leitura crítica sobre a transição para o novo modelo. Ele reconheceu pontos de simplificação no sistema, mas alertou para efeitos ainda incertos, especialmente no fluxo de caixa de empresas do varejo e de negócios com margens reduzidas.

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O painel sobre empreendedorismo, reformas e produtividade teve participação de Rodrigo Lorenzoni e Diogo Siqueira. Lorenzoni criticou a insegurança jurídica e o excesso de regulação no país. Siqueira afirmou que o Brasil precisa enfrentar a baixa produtividade e ampliar oportunidades de emprego como forma de reduzir a dependência de benefícios sociais.

A expansão das bets ocupou espaço no debate sobre crédito e inadimplência. Any Ortiz e Tiago Simon associaram as apostas online ao aumento do endividamento, especialmente entre pessoas em idade produtiva. O painel também abordou educação financeira, publicidade de plataformas de apostas e impactos sobre saúde mental, produtividade e renda das famílias.

Na discussão sobre logística, Joel Wilhelm e Guilherme Pasin criticaram modelos de concessão rodoviária no Estado. Ambos afirmaram que não são contrários a concessões, mas defenderam revisões em propostas que, segundo eles, podem elevar custos sem garantir contrapartidas adequadas. Pasin também citou a necessidade de ampliar investimentos em hidrovias, ferrovias, aeroportos e portos.

O último painel abordou a proposta de fim da escala 6x1. Lucas Redecker, Guilherme Pasin e Ivonei Pioner manifestaram preocupação com os efeitos da medida sobre pequenos negócios, emprego, informalidade e preços ao consumidor. Para os debatedores, mudanças na jornada precisam ser acompanhadas de discussão sobre produtividade e capacidade de adaptação das empresas.

Com a reunião de diferentes setores, o fórum consolidou a Federação Varejista como articuladora de pautas econômicas consideradas estratégicas para o comércio gaúcho. A edição deste ano teve como eixo o “novo varejo que move o Estado” e marcou uma mudança de foco em relação ao primeiro encontro, dedicado à reconstrução após as enchentes de 2024.