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Wine South America consolida Bento como capital latino-americana do vinho
Feira fechou edição com mais de R$ 120 milhões em negócios.
15/05/2026 10h32
Por: Marcelo Dargelio

Entre taças erguidas, corredores lotados e negociações milionárias, a sexta edição da Wine South America confirmou nesta semana aquilo que o setor vitivinícola brasileiro já vinha percebendo nos últimos anos: o vinho nacional deixou de ocupar um espaço secundário no mercado para assumir uma posição cada vez mais sofisticada, competitiva e internacional.

Realizada em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, a feira abriu sua maior edição já registrada, reunindo mais de 400 marcas expositoras, compradores de diversos estados brasileiros e representantes de mais de 20 países. A feira movimentou R$ 120 milhões em negócios, resultado 20% superior ao da edição anterior e acima das projeções da organização, além de reunir mais de 7 mil visitantes profissionais e compradores de mais de 20 países.

O movimento nos pavilhões evidenciou um setor em transformação. Se antes o foco estava apenas no volume de produção, hoje a discussão gira em torno de terroir, identidade, experiência e posicionamento de marca. A chamada “premiumização” do vinho brasileiro ganhou espaço definitivo na feira.

Dados apresentados durante o evento apontam que o mercado brasileiro de vinhos e espumantes movimentou R$ 21,1 bilhões em 2025, crescimento de quase 10% em relação ao ano anterior. O avanço é impulsionado principalmente pelo aumento do tíquete médio e pela procura crescente por produtos de maior valor agregado.  

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A feira também reforçou a importância estratégica de Bento Gonçalves no cenário vitivinícola nacional. Conhecida como a Capital Brasileira do Vinho, a cidade concentra parte significativa da produção nacional e transformou o enoturismo em uma das principais engrenagens econômicas da Serra Gaúcha.  

Além da presença maciça de vinícolas brasileiras, a edição deste ano ampliou sua força internacional. Países como Alemanha e Nova Zelândia estrearam no evento, enquanto Itália e Portugal expandiram significativamente sua participação. A presença italiana chamou atenção com dezenas de empresas representando diferentes regiões produtoras do país europeu.  

Outro destaque foi o número de reuniões de negócios previstas durante a programação: mais de 2 mil encontros comerciais entre produtores, importadores, distribuidores, supermercadistas, hotéis, restaurantes e compradores especializados.  

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Mais do que uma feira de exposição, a Wine South America se consolidou como uma plataforma de negócios e posicionamento internacional do vinho brasileiro. Nos corredores, o sentimento predominante era de amadurecimento do setor.

O consumidor brasileiro mudou — e o mercado percebeu isso.

Hoje, o vinho nacional disputa espaço não apenas pelo preço, mas pela qualidade, pela narrativa e pela experiência oferecida ao consumidor. E a Serra Gaúcha, mais uma vez, se coloca no centro dessa transformação.