Política Rio Grande do Sul
Polícia Federal prende pai de Daniel Vorcaro por desvios no Banco Master
Empresário foi capturado em Minas Gerais na operação Compliance Zero nesta quinta-feira.
14/05/2026 08h54 Atualizada há 1 hora
Por: Redação Fonte: Correio do Povo

O empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, foi preso na manhã desta quinta-feira, 14, durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e também atingiu outros alvos em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Segundo a PF, esta nova etapa da operação busca aprofundar a investigação sobre uma suposta organização criminosa envolvida em práticas de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasão de dispositivos informáticos. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão.

A Polícia Federal informou ainda que os investigados podem responder por ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, violação de sigilo funcional e invasão de dispositivos informáticos. Além das prisões e buscas, houve determinação de afastamento de cargos públicos e de bloqueio e sequestro de bens.

Confira o que diz a íntegra de decisão do ministro do STF André Mendonça

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A fase desta quinta ampliou o alcance da investigação ao atingir também integrantes ligados à própria estrutura policial. A delegada da PF, Valéria Vieira Pereira da Silva, foi afastada das funções na corporação e proibida de acessar as dependências da Polícia Federal e de ter contato com servidores e policiais federais, da ativa ou aposentados, enquanto um agente da ativa foi preso sob suspeita de vazamento de informações ao grupo investigado. Outros dois agentes aposentados também foram alvo da operação.

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Veja quem são os alvos dos mandados de prisão:

Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro;
David Henrique Alves;
Victor Lima Sedlmaier;
Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos;
Manoel Mendes Rodrigues;
Anderson Wander da Silva Lima, policial federal da ativa lotado na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro;
Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado.

A Compliance Zero vem avançando em etapas sucessivas. Na 5ª fase, realizada em 7 de maio, a PF cumpriu um mandado de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão. Já na 4ª fase, em 16 de abril, foram presos o ex-presidente do banco público do Distrito Federal Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro do esquema investigado.

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Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master, já estava detido desde o início de março. Ele está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF. A operação segue em andamento, sob supervisão do STF.

Qual o papel de Henrique Vorcaro no esquema

Segundo os investigadores da PF, o pai de Vorcaro atuava como um dos operadores financeiros e também, em alguns casos, demandava "A Turma" diretamente — uma das razões que fundamentaram a prisão dele nesta quinta. Henrique Vorcaro também teria pedido ao grupo para consultar sistemas sigilosos de forças de segurança para saber se havia algum tipo de investigação instaurada contra eles. O Ministério Público Federal (MPF) foi alvo de três ataques entre 2024 e 2025.

Quem são 'A Turma' e 'Os Meninos'

Segundo a Polícia Federal, “A Turma” era o grupo que integrava a estrutura paralela de vigilância e intimidação supostamente comandada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A expressão aparece em mensagens interceptadas entre Vorcaro e Sicário, apontado pela investigação como líder operacional do esquema.

Policiais federais cumprem sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e bloqueio de bens. Estão sendo investigados os crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional".