O governador em exercício Gabriel Souza abriu oficialmente, nesta quarta-feira (13/5), a 19ª Fenasul e a 46ª Expoleite, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A expectativa para o evento é de ampliação do público visitante, fortalecimento dos negócios e valorização da produção agropecuária gaúcha. O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, também participou da cerimônia de abertura.
A edição de 2026 reúne cerca de 1,5 mil animais inscritos — crescimento de 4,76% em relação ao ano passado — e conta com concursos leiteiros, julgamentos de animais, provas e rodeios, feira da agricultura familiar, multifeira, seminários técnicos, atrações culturais e programação gastronômica.
Durante a cerimônia, Gabriel e Madalena destacaram a importância estratégica do setor leiteiro para o Rio Grande do Sul e a diversidade que a feira oferece. Gabriel ressaltou que a cadeia produtiva do leite possui papel fundamental na economia gaúcha, especialmente pelo forte vínculo com a agricultura familiar, já que mais de 90% dos produtores de leite do Estado pertencem a esse segmento.
O governador em exercício também afirmou que o fortalecimento da atividade depende da criação de condições estruturais e competitivas para quem produz no campo. “A atividade leiteira precisa ser valorizada não só pelo produto de alta qualidade que produz, mas também pela característica árdua, suada e diária do trabalho dos produtores. Essa é uma atividade que gera muito emprego e renda no campo. Temos no Rio Grande do Sul a terceira maior bacia leiteira do Brasil, que produz milhões de litros de leite que geram produtos variados de alta qualidade que chegam ao consumidor.”
“Aproveitamos esse momento de abertura da feira também para discutir assuntos inerentes ao setor, como o grave endividamento dos produtores causado pelos eventos meteorológicos e que deve ser votado no Senado. Também temos a questão do ingresso de leite estrangeiro no Estado a partir de acordos do Mercosul em um sistema que gera competição desleal e prejudica o produtor gaúcho, que defendemos de todas as formas possíveis”, disse Gabriel.
Neste ano, o governo do Estado está investindo cerca de R$ 1 milhão na realização da feira, com melhorias na infraestrutura, na organização e na qualificação dos espaços destinados a expositores, criadores e visitantes.
Madalena ressaltou que essa é a maior feira de 2026 no primeiro semestre do Rio Grande do Sul. “Este é um marco importante para o setor agropecuário e para todos os envolvidos na organização do evento. Além disso, damos início a um novo modelo de feiras e exposições no Parque Assis Brasil, com a realização inédita da Fenovinos em Esteio. É um passo estratégico para ampliar oportunidades, fortalecer as cadeias produtivas e consolidar ainda mais o parque como referência nacional na realização de grandes eventos do setor”, afirmou o titular da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
As demais autoridades presentes também ressaltaram a relevância da feira para o desenvolvimento da agropecuária gaúcha, especialmente das cadeias leiteira e da pecuária de corte, além do papel estratégico do evento na valorização genética, tecnológica e econômica do setor.
Considerada a segunda maior feira agropecuária realizada anualmente no Parque Assis Brasil (atrás apenas da Expointer), a Fenasul Expoleite vem registrando crescimento nos últimos anos e consolidando-se como espaço de exposição de animais, difusão de conhecimento técnico, qualificação genética e geração de negócios.
A feira ocorre de 13 a 17 de maio, com entrada gratuita para pedestres e veículos. O acesso de pedestres ocorre pelos portões 3 e 7, enquanto os estacionamentos para visitantes estão disponíveis nos portões 5 e 10.
A Fenasul Expoleite é realizada pela Seapi e pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), com copromoção da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e da prefeitura de Esteio.
Dados do Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite no Rio Grande do Sul, elaborado pela Emater/RS-Ascar, apontam a relevância econômica e social do setor no Estado. A produção anual gaúcha alcança 3,84 bilhões de litros de leite, com Valor Bruto da Produção (VBP) estimado em R$ 10,7 bilhões por ano, consolidando o leite como o quinto produto mais importante da agropecuária gaúcha.
O Rio Grande do Sul possui atualmente 28.946 produtores de leite — redução de 12,3% em relação a 2023. Há dez anos, eram cerca de 84 mil produtores, o que evidencia uma retração no número de famílias dedicadas à atividade.
O rebanho leiteiro declarado soma 1,04 milhão de bovinos. Para 2025, a estimativa é de produção de 4,09 bilhões de litros, sendo 93,9% destinados ao mercado formal. Os estabelecimentos que comercializam leite para a indústria concentram 82,45% do rebanho leiteiro gaúcho.
Nos 442 municípios com indústrias de laticínios, a média é de 1.666 vacas leiteiras por município.
A programação também contempla mais de 40 agroindústrias familiares, além da Multifeira de Esteio, que reúne mais de 115 expositores dos segmentos de indústria, comércio, serviços e artesanato.
A gastronomia é outro destaque da programação, com a realização do festival Brasa e Prosa — considerado o maior campeonato de churrasco dos continentes — e do Torneio Ibero-Americano de Assadores Ancestrais, que contará com equipes de 14 países e mais de 60 competidores.
Uma das novidades desta edição é a realização conjunta, pela primeira vez, da Feira Nacional dos Ovinos (Fenovinos) com a Fenasul Expoleite. O evento conta com 483 ovinos inscritos.
Ao todo, a feira reúne 1.453 animais entre bovinos, ovinos, búfalos, equinos, caprinos, aves, coelhos, chinchilas e abelhas, evidenciando a diversidade da produção agropecuária do Rio Grande do Sul.
Texto: Ascom Seapi
Edição: Secom