A Fecomércio-RS divulgou os resultados da primeira rodada da Sondagem de Minimercados 2026, apresentando um diagnóstico profundo de um dos setores mais capilares da economia gaúcha. O levantamento, realizado com 385 estabelecimentos optantes pelo Simples Nacional, revela um cenário de resistência, mas também de vulnerabilidade: 59% das empresas operam com até três funcionários e em mais da metade dos casos (55,3%), o negócio é sustentado pela força de trabalho familiar.
Um dos pontos mais críticos identificados pela pesquisa diz respeito à gestão profissional. O desperdício com perecíveis e produtos vencidos é a principal causa de perdas financeiras, somando mais de 54% dos prejuízos. Entretanto, o controle dessas perdas esbarra na falta de tecnologia: 28,3% dos minimercados não possuem controle informatizado de estoques. Na área financeira, o quadro é ainda mais sensível, com 33,8% dos empresários misturando o dinheiro do caixa com as finanças pessoais, o que dificulta a percepção real de lucro ou prejuízo.
O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, destaca que a falha na gestão impede que esses pequenos negócios criem diferenciais competitivos. "O negócio entra no curto-circuito de resolver problemas imediatos e não sobra espaço para estratégia", afirma.
Concorrência e Vendas: O preço é visto como o principal fator de competição (41,8%), seguido de promoções agressivas. Nos últimos seis meses, 52,2% dos empresários admitiram que as vendas ficaram abaixo das expectativas.
Herança das Enchentes: O impacto das cheias de 2024 ainda é uma ferida aberta. Dos 37,9% que foram atingidos, apenas 21,2% se recuperaram totalmente. A redução de faturamento e a perda de clientes ainda atormentam metade desses estabelecimentos.
Incerteza Tributária: A Reforma Tributária é a grande sombra no horizonte. Enquanto 53,5% apontam a carga tributária como o maior desafio econômico, 65,7% ainda não decidiram se permanecerão no Simples Nacional ou se migrarão para o regime híbrido/geral.
Apesar de 43,9% dos donos de minimercados esperarem uma melhora em suas vendas próprias, o otimismo não se traduz para o cenário macroeconômico do país. Metade dos entrevistados (50,6%) prevê uma piora na economia brasileira nos próximos meses, refletindo um clima de cautela no setor.