A gestação é um período de transformações profundas, mas para muitas mulheres, os sintomas físicos podem esconder uma condição crônica que vai além do inchaço comum da gravidez: o lipedema. Caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura em braços e pernas, a doença tem uma forte ligação com as variações hormonais, o que torna a gestação um dos momentos mais críticos para o seu surgimento ou agravamento.
De acordo com a fisioterapeuta Andressa Bresolin, de Bento Gonçalves, a predominância estrogênica da doença faz com que as oscilações típicas da gravidez influenciem diretamente no comportamento do tecido gorduroso. "O aumento da retenção de líquidos potencializa sintomas como dor, inchaço e uma sensação de peso desproporcional nas pernas", explica a especialista.
Um dos principais obstáculos enfrentados pelas gestantes é a normalização da dor. Muitas vezes, sinais claros de lipedema são confundidos com as mudanças esperadas na gravidez, retardando o cuidado adequado.
Principais sinais de alerta:
Dor ao toque e sensibilidade nos membros;
Hematomas frequentes sem causa aparente;
Aumento de volume concentrado em pernas e quadris;
Sensação de peso que não melhora com o repouso;
Inchaço persistente.
"Existe uma romantização da gestação que leva a mulher a invalidar a própria dor. Elas acreditam que todo o desconforto faz parte do processo e deixam de observar sinais inflamatórios importantes", alerta Andressa. Sem o acompanhamento correto, a doença pode progredir, causando limitações funcionais e danos que permanecem mesmo após o parto.
Embora seja uma doença crônica, o lipedema pode ser controlado de forma segura para a mãe e o bebê. O foco do tratamento durante os nove meses é o controle da inflamação e a manutenção da qualidade de vida. Terapias manuais, drenagem linfática adaptada, exercícios orientados e o uso de meias de compressão estão entre as principais recomendações técnicas.
O cuidado, no entanto, não termina no nascimento. O puerpério (pós-parto) é considerado uma fase essencial para a reorganização do tecido e redução da dor. A fisioterapeuta destaca que o conhecimento sobre o próprio corpo devolve a segurança para as mulheres viverem a maternidade. "Cuidar de si não é egoísmo. Quando a mulher trata o lipedema, ela ganha leveza e saúde para estar mais presente na vida do filho", finaliza.