Uma troca de e-mails entre a consumidora Karoliny de Abreu Souza, de Florianópolis, e a Ypê revela que a fabricante já havia reconhecido a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em seus produtos ainda em dezembro de 2025. O registro ocorreu cerca de cinco meses antes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar o recolhimento nacional e a suspensão da fabricação de diversos lotes. Na época, a cliente relatou ter encontrado unidades de lava-roupas líquido com odor intenso e embalagens estufadas, recebendo a confirmação da contaminação após análise laboratorial da própria empresa.
A determinação recente da Anvisa aponta falhas graves no controle de qualidade e o descumprimento de Boas Práticas de Fabricação na unidade da Química Amparo, em São Paulo. Durante inspeções técnicas, foram identificados problemas em etapas críticas da produção que comprometem a segurança dos saneantes. O órgão determinou o recolhimento imediato de 23 produtos diferentes, abrangendo detergentes, desinfetantes e lava-roupas das marcas Ypê, Tixan, Bak e Atol, especificamente para os lotes que possuem a numeração final 1.
Embora a empresa afirme que o risco à saúde é baixo devido à forma de uso dos produtos, a Ypê admitiu que o microrganismo pode causar ou agravar infecções em pessoas com sistema imunológico debilitado. Em Santa Catarina, o Procon estadual e a Associação Catarinense de Supermercados (Acats) monitoram a retirada dos itens das prateleiras. A recomendação para os consumidores que possuírem produtos dos lotes afetados é interromper o uso imediatamente e entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Cliente da marca para solicitar a substituição.