A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta quinta-feira, 7 de maio, o diagnóstico positivo para hantavírus em cinco dos oito casos suspeitos a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius. A embarcação, de bandeira holandesa, partiu de Ushuaia, na Argentina, no dia 1º de abril, e enfrenta um surto raro da doença que já resultou na morte de três passageiros (um casal holandês e um cidadão alemão). O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou que a cepa identificada é a Andes, a única conhecida por permitir a transmissão entre humanos, embora tal evento seja considerado extremamente raro.
O navio, que transportava cerca de 150 pessoas de 28 nacionalidades, permaneceu ancorado próximo a Cabo Verde nos últimos dias e agora segue em direção às Ilhas Canárias, na Espanha. Durante a jornada, três pacientes foram retirados da embarcação para tratamento especializado na Europa — dois deles em estado grave. A situação gerou um alerta de rastreamento internacional, especialmente após cerca de 40 passageiros terem desembarcado na ilha de Santa Helena antes da confirmação oficial do surto; autoridades sanitárias na África do Sul e na Europa trabalham para localizar esses viajantes.
Apesar da gravidade dos óbitos, a OMS e especialistas reforçam que o cenário atual não indica o início de uma nova crise sanitária global:
Baixa Transmissibilidade: A epidemiologista Maria Van Kerkhove destacou que o hantavírus não se comporta como a Covid-19 ou a gripe, exigindo contato muito íntimo e próximo para ocorrer a transmissão entre pessoas.
Apoio Diagnóstico: A Argentina se comprometeu a enviar 2.500 kits de diagnóstico para laboratórios em cinco países, visando acelerar a identificação de novos casos e conter a propagação.
Período de Incubação: Como o vírus pode levar até seis semanas para manifestar sintomas, os passageiros assintomáticos que serão repatriados pela Espanha permanecerão sob vigilância rigorosa.
O hantavírus é tradicionalmente transmitido pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. No caso do MV Hondius, a principal suspeita é que a infecção tenha ocorrido antes do embarque ou através de mantimentos, já que o ambiente de um navio não é o habitat natural dos vetores. A OMS reitera que, com a implementação das medidas de saúde pública e o isolamento dos casos, o surto deve permanecer limitado à embarcação.