Economia Negócios
Seguro cyber ganha espaço em contratos entre empresas
Com avanço dos crimes digitais e novas exigências regulatórias, empresas passam a incluir seguro cibernético como mecanismo de proteção financeira ...
06/05/2026 21h33
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Em setembro de 2025, o Banco Central publicou a Resolução BCB nº 498, que estabelece a obrigatoriedade de contratação de seguro contra riscos cibernéticos para provedores de serviços tecnológicos que operam no Sistema Financeiro Nacional. A norma também determina requisitos mais rigorosos relacionados à segurança da informação, à gestão de riscos e às práticas de compliance.

De acordo com o CEO da Genebra Seguros, Guilherme Silveira, o aumento da exigência de seguro cibernético em contratos entre empresas está relacionado a uma mudança estrutural na forma como o risco digital é percebido. Segundo ele, antes esse risco era tratado como um problema interno da área de tecnologia da informação e agora passou a ser entendido como um risco de cadeia.

Ainda de acordo com o especialista, isso ocorre porque, ao contratar um fornecedor, a empresa não adquire apenas um serviço, mas também terceiriza parte do seu próprio risco. Com o avanço da digitalização e a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), explica, esse risco tornou-se mensurável, além de ganhar dimensão jurídica e financeira.

"Então o seguro cyber entra como um mecanismo de transferência de risco, quase como um colchão financeiro obrigatório dentro da relação contratual", pontua.

Continua após a publicidade

Crescimento dos crimes cibernéticos

De acordo com dados do Fórum Econômico Mundial, publicados pelo portal Sonho Seguro, os crimes cibernéticos já movimentam um volume financeiro equivalente ao que seria o terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB) do planeta. Já um relatório da empresa de segurança digital NetScout aponta que o Brasil registrou 550.550 ataques do tipo DDoS (Negação de Serviço Distribuída) apenas no primeiro semestre de 2025, número que representa um crescimento superior a 50% em comparação com o semestre anterior.

Entre os principais riscos digitais que motivam essa exigência nas cadeias de fornecedores, Silveira destaca o vazamento de dados (principalmente dados pessoais e sensíveis); ataques de ransomware que paralisam operação; interrupção de sistemas críticos (downtime); fraudes digitais e engenharia social; e responsabilização solidária entre contratante e fornecedor.

Continua após a publicidade

Além disso, ele faz um alerta: "Muitas vezes o elo mais fraco da cadeia não é a grande empresa, mas o fornecedor menor. É por isso que a exigência nasce de cima para baixo".

Seguro cyber ganha espaço nos contratos

Na análise de Silveira, o seguro cyber já se tornou um pré-requisito contratual, principalmente nos setores de tecnologia, financeiro, saúde e grandes indústrias. A exigência, segundo ele, ainda não é universal, mas avança gradualmente nesse sentido, em um movimento semelhante ao que ocorreu no passado com o seguro de responsabilidade civil. "A lógica é simples: se o risco é sistêmico, a exigência também passa a ser", acrescenta.

Nos contratos que exigem seguro cibernético, o executivo da Genebra ressalta que o mercado costuma solicitar um conjunto considerado essencial de coberturas. Entre elas estão a responsabilidade civil por violação de dados, os custos de resposta a incidentes (que incluem serviços de perícia forense, notificação de afetados e gestão de comunicação e relações públicas), além da cobertura para interrupção de negócios causada por eventos cibernéticos.

Também são frequentemente incluídas proteções contra extorsão digital, como ataques de ransomware, e cobertura para multas e penalidades regulatórias, quando essas são seguráveis. "Ou seja, não é só proteger o ativo — é proteger o impacto financeiro completo do evento", observa.

Preparação das empresas e gestão de riscos

Para atender a essas exigências e manter a competitividade, o CEO da Genebra Seguros explica que as empresas precisam adotar uma abordagem estruturada de gestão de riscos digitais. Ele alerta que um erro comum é acreditar que a contratação do seguro, por si só, resolve o problema. "Na prática, o seguro é entendido como uma consequência, e não como ponto de partida", frisa.

De acordo com o profissional, o processo começa com a estruturação da governança de dados, com a LGPD devidamente implementada, e com a adoção de controles básicos de segurança, como rotinas de backup, autenticação multifator (MFA) e políticas de gestão de acesso. Além disso, envolve o mapeamento dos riscos da operação e a criação de um plano estruturado de resposta a incidentes.

Nesse contexto, o executivo reforça que a corretora não é apenas uma intermediária, mas também uma consultora de risco. "Na Genebra, a proposta é usar tecnologia para reduzir fricção e ajudar empresas a entender e estruturar seus riscos de forma mais eficiente", revela.

Na prática, de acordo com Silveira, o papel da corretora é:

"Ou seja, não é sobre vender apólice — é sobre viabilizar negócios em um ambiente mais complexo", conclui o CEO.

Para mais informações, basta acessar: https://www.genebraseguros.com.br/