O Tribunal do Júri de Novo Hamburgo condenou Adriana Guinthner a 18 anos e 8 meses de prisão pela morte do escrivão de Justiça Paulo César Ruschel. A sentença foi anunciada na tarde desta quarta-feira, 6, após dois dias de julgamento no Fórum do município. A pena deverá ser cumprida em regime fechado e com execução imediata, por determinação da juíza Bruna Casagrande, que presidiu a sessão.
O crime ocorreu em 22 de outubro de 2006, na residência do casal, no bairro Pátria Nova. Segundo a acusação, Adriana participou do planejamento do homicídio e facilitou a entrada dos executores na casa e no quarto onde Ruschel dormia. A denúncia sustentou que a motivação foi patrimonial e que o crime foi praticado com recurso que dificultou a defesa da vítima.
A decisão foi tomada por um Conselho de Sentença formado por sete mulheres. Depois da condenação, o promotor Eugênio Paes Amorim ressaltou essa composição ao lembrar que o julgamento anterior havia sido anulado sob alegação de misoginia.
Na sentença, a magistrada fixou a pena-base em 14 anos, aplicou agravante por entender que a ré se valeu da relação doméstica e de proximidade com a vítima e, com o reconhecimento das qualificadoras pelos jurados, chegou à pena definitiva de 18 anos e 8 meses.
O caso é um dos mais conhecidos da história policial e judiciária do Vale do Sinos. A nova condenação ocorre depois de quase 20 anos de tramitação e de sucessivas reviravoltas processuais. O julgamento anterior havia sido anulado, o que levou o processo de volta ao Tribunal do Júri e abriu caminho para a nova sessão encerrada nesta quarta-feira.
A defesa optou por não se manifestar após a sentença. Ainda cabe recurso da decisão.