O enfrentamento à violência doméstica no Rio Grande do Sul ganhou um reforço tecnológico robusto em 2026. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, o número de agressores monitorados por tornozeleira eletrônica saltou para 1,2 mil, um crescimento expressivo se comparado aos 900 registros de março e aos modestos 300 acompanhamentos do ano anterior. A estratégia visa criar uma barreira invisível de proteção, e os resultados práticos são animadores: desde que o programa foi implementado, nenhuma mulher assistida por essa tecnologia de monitoramento foi vítima de feminicídio ou tentativa de morte.
Entretanto, os números gerais da violência contra a mulher ainda acendem um alerta vermelho para as autoridades gaúchas. Até o momento, o Estado contabiliza 31 feminicídios em 2026, o que representa um caso a mais do que o registrado no mesmo intervalo de 2025, ano que encerrou com um total de 80 mortes. O balanço revela que, embora a tecnologia seja eficaz para quem está integrada ao programa, muitas vítimas ainda não possuem o amparo da medida protetiva ou do monitoramento eletrônico no momento da agressão fatal.
A meta da segurança pública estadual é ampliar a rede de proteção através da disponibilidade de equipamentos e da agilidade judicial. Atualmente, o Rio Grande do Sul dispõe de 2 mil tornozeleiras, com planejamento para expandir o estoque para 3 mil unidades em breve. Somente neste ano, já foram representadas 27 mil medidas protetivas, lembrando que, no ano passado, o total chegou a 69 mil solicitações. É importante ressaltar que a decisão de monitorar um agressor cabe exclusivamente ao Poder Judiciário, que analisa a gravidade de cada caso e a necessidade específica do uso do dispositivo.
As autoridades reforçam que a denúncia é o primeiro e mais importante passo para salvar vidas, utilizando canais como o telefone 190 para emergências. Além disso, a análise dos casos de feminicídio aponta que o prazo legal de 48 horas para o deferimento das medidas protetivas é um fator crítico que segue sendo rigorosamente monitorado pela segurança pública para evitar que o tempo de espera coloque as mulheres em risco.