A CPI dos Pedágios da Assembleia Legislativa esteve na Serra Gaúcha na última quinta-feira, 30 de abril, e saiu da vistoria com um recado duro sobre o modelo de concessões rodoviárias no Estado. Em inspeção em trechos da RS-122, em São Vendelino, deputados afirmaram ter encontrado atraso em obras prometidas, falta de estruturas básicas e sinais de que a cobrança ao usuário avança mais rápido do que a entrega de melhorias.
Participaram da fiscalização o presidente da comissão, Paparico Bacchi (PL), o relator Miguel Rossetto (PT) e a deputada Sofia Cavedon (PT). A vistoria integra a apuração sobre o chamado Bloco 3, que reúne rodovias estratégicas como ERS-122, ERS-240, RSC-453 e ERS-446.
Um dos principais focos da inspeção foi o sistema de pedágio free flow. Segundo os parlamentares, motoristas convivem há cerca de três anos com cobrança automática, multas e reajustes sucessivos, sem que parte relevante das obras previstas tenha saído do papel. A crítica central é de falta de contrapartida para quem paga.
No trecho entre os quilômetros 35 e 36 da RS-122, a comissão disse ter verificado ausência de áreas de descanso para caminhoneiros, dificuldades de acesso e falhas de sinalização. Para os deputados, o cenário compromete a segurança e expõe a distância entre o contrato e a realidade em campo.
Outro ponto citado foi o quilômetro 43 da RS-122, no sentido de Farroupilha, conhecido regionalmente como Curva da Morte. Conforme os integrantes da CPI, esse trecho foi apresentado como prioridade dentro da concessão, mas a vistoria não encontrou avanço concreto das intervenções esperadas.
A visita ampliou o embate político sobre a condução dos contratos e a atuação da regulação estatal. A comissão afirma que pretende intensificar as fiscalizações nas próximas semanas e usar os levantamentos para pressionar por mudanças no sistema de pedágios e para barrar a expansão do modelo sem revisão das falhas já apontadas.