Embora historicamente ligada à pecuária, a fronteira do Pampa gaúcho com a Argentina e o Uruguai vive uma expansão acelerada na produção de vinhos de alta qualidade. Atualmente, a Campanha Gaúcha abriga cerca de 1,56 mil hectares de vinhedos, concentrando quase um terço da produção de vinhos finos de todo o país. O diferencial da região reside em fatores geográficos únicos: a alta amplitude térmica (dias quentes e noites frias), o solo bem drenado e o baixo volume de chuvas durante a maturação da uva, o que favorece a concentração de açúcares e aromas.
Desde 2020, o setor conta com a Indicação de Procedência (IP), um selo que atesta a origem e garante que o vinho expressa a identidade de uma das 14 cidades delimitadas. Diferente da Serra Gaúcha, onde o relevo acidentado dificulta o uso de máquinas, a topografia suave da Campanha permite o cultivo em espaldeira com colheita e manejo mecanizados, reduzindo custos e aumentando a escala de produção sem perder o equilíbrio da fruta.
Variedades Adaptadas: Entre as 36 cultivares registradas, a uva Tannat é o grande destaque, encontrando na região condições ideais que rivalizam com as melhores produções uruguaias.
Sustentabilidade: Exemplos como a Estância Guatambu, em Dom Pedrito, utilizam 100% de energia solar e adubação por compostagem, chegando a resgatar 500g de $CO_2$ equivalente por garrafa produzida.
Investimento Estratégico: Grandes grupos como Miolo e cooperativas como a Nova Aliança instalaram unidades de vinificação locais (Seival e Santana do Livramento) para processar as uvas frescas, evitando que o transporte por longas distâncias até a Serra prejudicasse a qualidade do fruto.
Apesar do sucesso, o setor enfrenta gargalos logísticos, burocracia para exportação e escassez de mão de obra qualificada. Para muitos proprietários, a uva começou como um hobby e hoje serve para rentabilizar as estâncias e agregar valor institucional à carne produzida no Pampa. O movimento também impulsionou o enoturismo, atraindo visitantes interessados em piqueniques nos vinhedos e na cultura campeira, além de abrir espaço para o crescimento de outras culturas beneficiadas pelo clima, como as olivas.