Política Judiciário
Oposição articula “apagão” de indicações ao STF até as eleições após queda de Messias
Senadores pressionam Davi Alcolumbre para segurar novas escolhas de Lula por seis meses; manobra busca repetir estratégia americana de 2016
30/04/2026 08h43 Atualizada há 1 hora
Por: Redação
Foto: Reprodução

A rejeição histórica de Jorge Messias pelo Senado Federal abriu caminho para uma nova ofensiva da ala bolsonarista no Congresso. Parlamentares da oposição articulam agora com o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre, uma estratégia para barrar qualquer nova indicação do presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF) até que as eleições de outubro sejam concluídas. O plano dos senadores é congelar a vaga aberta por pelo menos seis meses, sob a tese de que a escolha do novo ministro deveria caber ao governante eleito no pleito deste ano, movimento que espelha a manobra realizada pelos republicanos nos Estados Unidos em 2016.

A derrota de Messias, a primeira em 132 anos, expôs as digitais de Alcolumbre e a fragilidade do Planalto no Senado. Nos bastidores, a leitura é de que o nome de Rodrigo Pacheco era o único capaz de gerar consenso absoluto e evitar o desgaste. Alcolumbre, que preferia Pacheco na vaga, trabalhou silenciosamente contra Messias, chegando a se recusar a recebê-lo para diálogos institucionais até as vésperas da sabatina. Além disso, o fator eleitoral pesa na decisão, já que Pacheco migrou para o PSB e conta com o apoio de Lula para uma futura candidatura ao governo de Minas Gerais, o que torna sua ida ao STF um movimento politicamente complexo.

O governo sofreu um forte impacto com o placar de 42 a 34, uma vez que as planilhas dos articuladores políticos do Planalto previam até 48 votos favoráveis. O senador Efraim Filho resumiu o clima na Casa ao afirmar que o processo eleitoral deve ditar o ritmo das próximas análises. Para a oposição, a rejeição de Messias não foi apenas um veto a um nome, mas um recado de que o Senado pretende retomar o protagonismo sobre as indicações para o Judiciário. Cabe agora ao presidente Lula decidir se enfrentará o risco de uma nova rejeição imediata ou se cederá à pressão para aguardar o desfecho das urnas.