O julgamento de Claudemir Alves Figueiró, de 51 anos, foi interrompido e remarcado para o dia 20 de agosto após um impasse jurídico no fórum de Erechim, no Norte do Estado. A sessão foi suspensa quando a equipe de defesa do réu decidiu abandonar o plenário, alegando que a imparcialidade do Conselho de Sentença estava comprometida pelo estado emocional de três juradas, que teriam chorado durante os trabalhos.
Diante do abandono, o juiz Marcos Luís Agostini, da 1ª Vara Criminal, rejeitou a tese de nulidade e aplicou uma multa de dez salários mínimos às advogadas Priscila Souza da Rosa, Maíra Cazzuni e Kátia Batistello. O magistrado também determinou o pagamento dos custos da sessão e o envio de um comunicado à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para apuração de conduta disciplinar. Outro ponto de atrito na sessão foi o registro fotográfico dos jurados feito pela defesa; as advogadas afirmaram que a imagem serviu apenas para documentar a suposta nulidade do processo, enquanto o juiz ordenou que o ato fosse registrado em ata.
A defesa agora tenta o desaforamento do caso, buscando transferir o julgamento para outra comarca sob o argumento de que a comunidade de Erechim possui uma animosidade prévia contra o réu. Priscila Rosa reiterou que a decisão de sair do plenário ocorreu após três tentativas frustradas de resolver a situação de forma consensual, afirmando que era impossível garantir um julgamento justo com jurados em prantos.
O crime em questão ocorreu em 20 de outubro de 2023, no bairro Atlântico. Conforme a denúncia do Ministério Público, Figueiró teria invadido a residência da ex-companheira por não aceitar o término do relacionamento. Ele foi preso em flagrante logo após o ataque em um estabelecimento comercial. Enquanto a acusação sustenta a tentativa de feminicídio, a defesa alega legítima defesa em uma suposta "disputa de vida", afirmando que o cliente apresenta marcas de golpes de faca pelo corpo. Claudemir segue preso preventivamente aguardando a nova data do júri.