A Prefeitura de Canoas oficializou a negativa ao reajuste salarial pleiteado pelos professores e técnicos em educação básica, que permanecem em greve desde o dia 22 de março. O Executivo municipal justifica a impossibilidade de conceder o aumento de 4,26% (referente à inflação e ganho real) com base no Artigo 167-A da Constituição Federal, que veda medidas de reajuste quando as despesas correntes superam 95% das receitas. De acordo com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), o índice de comprometimento financeiro de Canoas está atualmente em 96,82%.
O prefeito Airton Souza e a secretária de Educação, Beth Colombo, reforçaram que a proposta de parcelamento do reajuste em seis vezes — já rejeitada pela categoria — representa o limite máximo da capacidade fiscal da cidade. Canoas atravessa um período de contingenciamento de gastos há oito meses, iniciado em agosto de 2025, visando equilibrar as contas públicas. A gestão municipal projeta reduzir o déficit ao longo de 2026 para tentar zerar o caixa apenas em 2027, o que impede a concessão imediata de novos benefícios financeiros.
Por outro lado, o Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan) contesta os argumentos da prefeitura, alegando que o desequilíbrio fiscal é agravado por contratos considerados desnecessários. A entidade cita como exemplo o programa Conecta+ Canoas, desenvolvido pelo Serpro, afirmando que haveria margem para valorização salarial se as prioridades de investimento fossem revistas. Enquanto o impasse persiste, milhares de alunos seguem sem aulas e a contenção de despesas permanece em vigor por tempo indeterminado no município.