Segurança Direitos
Mais de 8,5 mil mulheres solicitaram medidas protetivas online no Rio Grande do Sul
Ferramenta completa um ano em abril com foco em reduzir a subnotificação e facilitar o socorro; Estado, porém, ainda lidera ranking de feminicídios com medidas ativas
28/04/2026 17h18 Atualizada há 3 horas
Por: Redação
Delegacia Online da Mulher funciona 24 horas no Rio Grande do Sul (Foto: Alina Souza / CP / Reprodução)

A Delegacia Online da Mulher no Rio Grande do Sul registrou a marca de 8.560 solicitações de Medidas Protetivas de Urgência (MPU) via internet em quase um ano de funcionamento. A ferramenta, inaugurada em 24 de abril de 2025, contabilizou 6.779 pedidos no ano passado e 1.781 pedidos nos primeiros meses de 2026. Segundo a diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam), delegada Waleska Alvarenga, o portal 24 horas é essencial para vítimas com dificuldades de locomoção ou que sentem vergonha de comparecer a uma unidade física, garantindo uma resposta judicial em tempo médio inferior a um dia.

Para utilizar o serviço, a vítima deve acessar o site da Delegacia Online e possuir uma conta no sistema GOV.BR. Através do portal, é possível solicitar ações imediatas como o afastamento do agressor do lar, a proibição de contato e aproximação, restrição de porte de armas e suspensão de visitas a menores. O objetivo da Polícia Civil é expandir a acessibilidade e garantir que o socorro chegue rapidamente em momentos de alto risco, sem que a mulher precise se expor novamente ao agressor ao sair de casa.

Apesar do avanço tecnológico, o cenário da violência de gênero no Estado permanece crítico. Desde o início de 2026, pelo menos 23 mulheres foram assassinadas em território gaúcho, com a Assembleia Legislativa apontando uma alta de 53% nos feminicídios no primeiro bimestre em relação ao ano anterior. O Rio Grande do Sul também mantém um alerta negativo: o estado lidera, desde 2024, o ranking nacional de vítimas de feminicídio que possuíam medida protetiva ativa no momento da morte, evidenciando desafios na fiscalização e no cumprimento das ordens judiciais.

Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública reforçam essa preocupação, indicando que o RS possui a maior taxa de descumprimento de medidas protetivas do país (106,1 casos por 100 mil habitantes). Embora o Estado seja o quarto no ranking de concessão de medidas, superando a média brasileira, o percentual de descumprimento chega a 23,2%. Autoridades reforçam que a denúncia online é o primeiro passo fundamental, mas que a rede de proteção precisa de vigilância constante para reverter os índices de letalidade feminina no solo gaúcho.

Continua após a publicidade