Economia Negócios
Qualidade de vida passa a superar preço na compra de imóveis
Pesquisa da DataStore no litoral norte de Santa Catarina revela mudança no perfil do comprador, abre espaço para empreendimentos voltados à saúde e...
28/04/2026 10h32 Atualizada há 3 horas
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A lógica de decisão de quem vai comprar um imóvel está mudando: qualidade de vida e atributos de projeto passaram a pesar mais do que preço na escolha. É o que aponta um levantamento recente da DataStore, realizado sob encomenda, que indica que esse fator já supera o valor como principal critério de decisão de compra na região.

Realizado em Itajaí, Balneário Camboriú e Camboriú, o estudo de mercado foi provocado por uma incorporadora da região e mostra ainda que mais de 70% dos entrevistados pretendem adquirir um imóvel nos próximos dois anos — indicativo de uma demanda ativa. Além disso, mais de 60% valorizam empreendimentos com soluções sustentáveis e certificações ambientais, associando esses atributos à valorização patrimonial e à segurança do investimento.

"O comprador está mais criterioso e mais consciente. Sustentabilidade e saúde deixaram de ser diferenciais e passaram a ser fatores de decisão. Quando um projeto nasce com esses atributos incorporados, ele dialoga diretamente com esse novo perfil de demanda", afirma Marcus Araújo, CEO da DataStore.

A tendência acompanha o cenário global. Dados do World Wellness Real Estate Report 2025 indicam que o segmento de bem-estar imobiliário movimentou cerca de US$ 584 bilhões em 2024 e deve dobrar de tamanho até 2029, consolidando-se como um dos mercados mais dinâmicos dentro da economia mundial.

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É nesse contexto que surge o Athene Garden, empreendimento que será lançado em 2026 em Camboriú pela incorporadora FHaus Empreendimentos. O projeto se propõe a ser o primeiro "home wellness" de Santa Catarina e nasce com a intenção de buscar simultaneamente as certificações internacionais LEED e WELL, combinação ainda pouco observada em empreendimentos residenciais no Brasil e inédita no município.

O Athene será construído no Colinas de Camboriú, considerado o primeiro bairro planejado da região, com potencial estimado pela incorporadora superior a R$ 10 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) ao longo de sua consolidação. O projeto integra a proposta de desenvolvimento estruturado do bairro, combinando verticalização planejada, infraestrutura urbana e preservação ambiental, às margens da BR-101, em meio a mais de 400 mil metros quadrados de Mata Atlântica.

"O Athene vem como um contraponto à lógica do volume e do excesso. Nunca pensamos em disputar títulos de ‘maior VGV’ ou ‘prédio mais alto’. Nosso objetivo, desde o início, foi propor um modelo de moradia alinhado a essa demanda mais madura, que busca qualidade ambiental e saúde como premissas de projeto", revela Thomas Barichello Fischer, sócio-fundador da FHaus.

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Conceito e aplicação

O avanço do conceito de home wellness no Brasil acompanha a mudança estrutural no comportamento do comprador de imóveis, refletida na pesquisa. O movimento, segundo Fischer, aproxima o setor imobiliário da indústria da saúde preventiva e representa uma mudança na forma como os empreendimentos são posicionados para incorporadoras que desejam competir não apenas por preço ou localização, mas por performance do ativo no longo prazo.

"Não faz sentido falar em bem-estar apenas nas áreas comuns. No Athene, ele está na essência da arquitetura. Por isso, ela foi pensada a partir de critérios objetivos de desempenho: qualidade ambiental interna, iluminação natural, ventilação cruzada, conforto térmico e escolha de materiais com menor impacto à saúde. A biofilia, para nós, também não é um elemento decorativo. Ela estrutura o projeto desde a concepção, integrando arquitetura, paisagismo e a experiência cotidiana de quem vai morar ali", explica o executivo.

No caso do Athene, o enquadramento como home wellness se sustenta na combinação entre o projeto arquitetônico, o compromisso com desempenho ambiental e a busca simultânea das certificações LEED e WELL, presentes no projeto.

A certificação LEED avalia o desempenho ambiental de edificações a partir de critérios como eficiência energética, uso racional de água, gestão de resíduos e impacto urbano. Já o selo WELL concentra-se na saúde dos ocupantes, analisando qualidade do ar, iluminação, conforto térmico e estímulos à atividade física e ao equilíbrio mental. A combinação dos dois selos ainda é rara em empreendimentos residenciais no país e, segundo a incorporadora, não há registros de projetos certificados em Camboriú sob esses parâmetros.

O projeto também é apresentado como um dos primeiros projetos da região a buscar os selos Biodiversidade Nativa e Floresta de Bolso® (associado à otimização inteligente de espaços), indicando foco da companhia na preservação da vegetação local e na promoção da biodiversidade urbana. Segundo a construtora, em vez de priorizar metragem excessiva, o modelo busca eficiência de planta, integração funcional e melhor aproveitamento das áreas comuns, reduzindo desperdícios e ampliando a usabilidade cotidiana dos ambientes.

"Para que o conceito não ficasse apenas no discurso, optamos por reduzir o número de unidades inicialmente previsto. Abrimos mão de oito apartamentos para garantir melhor implantação, mais área verde efetiva e um desenho arquitetônico coerente com a proposta. Poderíamos ter ampliado em quase R$ 6 milhões o VGV, mas entendemos que o valor do projeto está na qualidade do conjunto, não na quantidade de unidades", menciona Clécio Fonseca, sócio-fundador da FHaus.

Com 148 unidades distribuídas em duas torres, o Athene Garden representa a estreia da FHaus no mercado e sinaliza uma abordagem diferente na verticalização da região: menos foco em volume e mais atenção a desempenho ambiental, saúde predial e planejamento urbano integrado, atributos que, segundo a empresa e a pesquisa da DataStore, devem ganhar peso crescente nas decisões de compra e na valorização de ativos imobiliários na região nos próximos anos.