Um grupo composto por mais de 500 funcionários do Google protocolou, nesta segunda-feira, 27 de abril, uma carta aberta direcionada ao CEO Sundar Pichai com uma demanda contundente: que a gigante de tecnologia não permita o uso de sua inteligência artificial em trabalhos militares sigilosos do governo dos Estados Unidos. O documento manifesta uma profunda preocupação ética, argumentando que a IA deve ser desenvolvida para beneficiar a humanidade, e não para viabilizar armas autônomas letais ou sistemas de vigilância em massa.
Os colaboradores defendem que a única garantia de que as ferramentas da empresa não serão associadas a danos desumanos é a rejeição formal de qualquer envolvimento em contratos classificados. O receio central é de que, sem uma barreira institucional clara, a tecnologia possa ser desviada para fins bélicos sem o devido controle ou transparência. Essa pressão interna surge em um momento de intenso debate global sobre a regulamentação da inteligência artificial e o papel das big techs em conflitos geopolíticos.
O movimento ganha força após episódios recentes de tensão entre o Pentágono e empresas do setor, como a Anthropic, elevando a cobrança para que as lideranças de tecnologia definam diretrizes morais rígidas. Até o momento, o Google não emitiu um pronunciamento oficial sobre o manifesto, mas a expectativa é de que a pauta domine os debates internos da companhia nas próximas semanas, colocando em xeque o equilíbrio entre a inovação voltada ao lucro e a responsabilidade social da organização.