A saída repentina de Mariano Levy do comando da Berkmann Wine Cellars Brasil pegou o mercado de vinhos de surpresa e instalou um clima de incerteza entre parceiros e investidores. O anúncio oficial ocorreu de forma conturbada, com o executivo publicando e removendo posts em redes sociais antes de confirmar ao jornal Estadão que está deixando o posto de CEO, embora pretenda seguir auxiliando a empresa por meio do conselho administrativo. Levy, que assumiu com a ambiciosa meta de atingir um faturamento de R$ 100 milhões com vinhos de luxo, justificou sua saída afirmando que seu trabalho de auxílio na gestão foi concluído.
Nos bastidores do setor, as informações apontam para um profundo descontentamento dos acionistas europeus (liderados pela matriz inglesa e sócios italianos) com os desempenhos financeiros da operação brasileira nos últimos meses. A saída abrupta, sem um plano de sucessão imediato ou um comunicado prévio estruturado aos parceiros, agravou a sensação de instabilidade. A preocupação é maior entre marcas de prestígio que integram o portfólio da importadora, como a chilena Montes, a espanhola Torres e a italiana Antinori, que são referências mundiais no segmento premium.
Até o momento, a Berkmann não anunciou quem assumirá o cargo vago, e representantes de vinícolas parceiras relatam dificuldades em obter informações claras sobre os próximos passos da operação no país. O mercado brasileiro é visto pela matriz como estratégico e dinâmico, mas os desafios logísticos e a recente reorganização estrutural iniciada por Levy ainda não teriam entregado a eficiência esperada pelos investidores internacionais. O setor agora aguarda uma definição oficial para entender como ficará a distribuição dessas marcas icônicas no Brasil sob a nova direção.