Novos detalhes da investigação sobre o desaparecimento e morte de Silvana Germann de Aguiar e de seus pais, Isail e Dalmira Aguiar, revelam uma tentativa de obstrução de justiça por parte da atual esposa do principal suspeito. Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Milena Ruppenthal Domingues atuou para apagar evidências tecnológicas que ligavam o policial militar Cristiano Domingues Francisco ao uso de softwares de clonagem de voz.
A investigação aponta que Milena manipulou dados, excluiu contas e descredenciou o aplicativo de inteligência artificial logo após a prisão do marido. Por essa conduta, ela foi indiciada por ocultação de cadáver, fraude processual, falso testemunho, furto qualificado e associação criminosa. O diretor de Inteligência Policial, delegado Diego Traesel, afirmou que a mulher também teria tentado conduzir depoimentos para encobrir a dinâmica do crime.
A perícia criminal utilizou ferramentas avançadas de detecção de IA para confirmar que os áudios enviados aos pais de Silvana, um dia após o desaparecimento dela, eram sintéticos. Na gravação, a voz clonada de Silvana pedia ajuda para consertar um fio elétrico, atraindo os pais para a residência de Cristiano, onde teriam sido mortos. Registros do uso do software foram localizados em um notebook, e os textos exatos utilizados para gerar os áudios foram encontrados no celular do PM.
Cristiano segue preso preventivamente e responde por nove crimes, incluindo feminicídio e ocultação de cadáver. Além do casal, outras quatro pessoas ligadas ao policial foram indiciadas por colaboração. O foco das autoridades agora concentra-se na localização dos corpos das três vítimas e no encerramento da fase de coleta de provas para o processo judicial.