Geral Causa animal
Polícia Civil interdita canil clandestino com mais de 200 animais
Responsáveis foram presos em flagrante por maus-tratos em operação que revelou exploração econômica, superlotação e graves irregularidades sanitárias na Região Metropolitana
23/04/2026 08h09 Atualizada há 50 minutos
Por: Redação
Foto: Polícia Civil / Divulgação

Uma operação da Polícia Civil interditou, na manhã da quarta-feira (22), um estabelecimento que mantinha mais de 200 animais em condições degradantes no município de Dois Irmãos. No local, foram contabilizados 170 cães e mais de 50 gatos, incluindo raças de alto valor comercial como Spitz Alemão e Cavalier, cujos filhotes eram vendidos por preços que variavam entre R$ 5 mil e R$ 15 mil. O homem e a mulher responsáveis pelo canil foram presos em flagrante por maus-tratos, crime pelo qual ambos já possuíam antecedentes criminais.

A fiscalização, motivada por uma denúncia anônima, contou com o apoio da Vigilância Sanitária municipal, de veterinárias e da associação local de proteção animal. O delegado Felipe Borba descreveu o cenário como de elevada reprovabilidade social, onde os bichos eram submetidos ao sofrimento para fins de exploração econômica. Durante a inspeção, foram identificados inúmeros animais com sarna, diarreia e dermatites alérgicas, além de um ambiente marcado pela falta de higienização, ausência de controle sanitário e mistura inadequada de espécies e idades no mesmo espaço.

As irregularidades constatadas pela perícia técnica apontaram falhas graves na infraestrutura, como a falta de pisos impermeáveis e sistemas de drenagem, o que impedia a limpeza correta do ambiente. No aspecto reprodutivo, o canil operava sem qualquer registro obrigatório sobre ciclos de cio, número de gestações por fêmea ou intervalo entre ninhadas, descumprindo as normas vigentes. Além disso, não havia acompanhamento veterinário regular, controle de parasitas ou comprovação de vacinação dos filhotes, que muitas vezes eram separados precocemente das mães.

A Vigilância Sanitária determinou a interdição imediata do estabelecimento diante do risco à saúde pública e ao bem-estar animal. Todos os cães e gatos foram recolhidos e encaminhados para um local seguro sob custódia de entidades parceiras, onde receberão o tratamento médico necessário. A Polícia Civil reforça que o inquérito seguirá para responsabilizar os envolvidos e investigar a rede de comercialização desses animais, enquanto os presos permanecem à disposição da Justiça.

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