A Polícia Federal designou a delegada Tatiana Alves Torres para atuar como oficial de ligação junto ao ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos, no lugar de Marcelo Ivo de Carvalho. A troca foi formalizada por portaria assinada pelo diretor-geral Andrei Rodrigues e ocorre em meio à crise diplomática aberta após a retirada do delegado brasileiro do país.
Marcelo Ivo era o representante da PF no ICE desde 2023 e foi alvo de uma medida anunciada na segunda-feira, 20, pelo governo americano. Segundo autoridades dos EUA, ele teria tentado “manipular” o sistema migratório ao contornar pedidos formais de extradição e ampliar uma perseguição política em território americano. A embaixada dos Estados Unidos em Brasília confirmou à Reuters que o brasileiro citado era o delegado da PF em Miami.
A mudança ocorre dias depois da detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem pelo ICE, na Flórida. Ramagem havia sido preso em 13 de abril e liberado dois dias depois. Ele fugiu para os Estados Unidos em setembro, após condenação no Brasil por participação em tentativa de golpe, e passou a ser monitorado por autoridades brasileiras e americanas.
A nova enviada da PF é delegada de carreira desde 2002. Ela já foi superintendente da corporação em Minas Gerais e ocupava, até recentemente, a coordenação-geral de gestão de processos da Diretoria de Gestão de Pessoas. A nomeação para missão de dois anos nos Estados Unidos foi feita em 17 de março, mas a ida de Tatiana ao país ainda depende do desfecho do impasse entre Brasília e Washington.
A reação do governo brasileiro elevou o tom do episódio. Em viagem à Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a ação dos EUA como possível abuso e disse que o Brasil poderá adotar reciprocidade, caso considere que houve excesso contra o policial brasileiro.
A substituição de Marcelo Ivo, assim, tenta preservar o canal de cooperação entre Brasil e Estados Unidos na área migratória e policial, mas o caso ainda deixa incerteza sobre os próximos passos diplomáticos entre os dois países. Essa definição deve depender tanto do andamento do caso Ramagem quanto da resposta formal do governo brasileiro à decisão americana.