O Rio Grande do Sul deve enfrentar o retorno do fenômeno El Niño com intensidade de forte a muito intensa nos próximos meses. Modelos meteorológicos, incluindo o do Centro Europeu de Previsões de Médio Prazo (ECMWF), apontam que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial ganhará força entre o final do outono e o início do inverno, com pico de atividade previsto para o período do Natal. O cenário levanta o alerta para a possibilidade de um "Super El Niño", com temperaturas oceânicas superando em 2°C a média histórica.
Especialistas da MetSul Meteorologia indicam que o evento pode ser comparável aos episódios recordes de 1982-1983 e 1997-1998, conhecidos por causarem impactos climáticos severos globalmente. No estado, o fenômeno costuma estar associado a volumes de chuva muito acima da média e eventos meteorológicos extremos. A raridade de eventos dessa magnitude, que ocorrem a cada 10 ou 15 anos, intensifica a preocupação de climatologistas, especialmente em um contexto de planeta com temperaturas globais já elevadas.
A comunidade científica, incluindo o climatologista James Hansen, alerta que o aumento dos gases de efeito estufa pode amplificar os efeitos naturais do El Niño, tornando o sistema climático mais sensível e imprevisível. O monitoramento das águas do Pacífico será intensificado em maio e junho para detalhar os riscos de enchentes e tempestades que podem atingir a região sul do Brasil e outras partes do mundo ao longo de 2026.