Política Justiça
Senado rejeita relatório da CPI que pedia impeachment de Gilmar Mendes
Investigação sobre o Caso Master e venda ao BRB termina sem punições após base governista barrar texto que apontava conflito de interesses no Judiciário
14/04/2026 21h26 Atualizada há 6 dias
Por: Redação
Foto: Reprodução

O Senado Federal encerrou as atividades da CPI que investigava a infiltração do crime organizado no sistema financeiro com a rejeição do relatório final. O documento apresentava acusações gravíssimas contra figuras de cúpula do Judiciário e do Ministério Público, incluindo pedidos de impeachment do ministro Gilmar Mendes e o indiciamento do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. A decisão de rejeitar o texto é vista como uma vitória da base governista, enquanto a oposição denuncia uma manobra para blindar autoridades e interromper as investigações sobre a venda do Banco Master ao BRB.

O relatório sugeria que Gilmar Mendes agiu de forma corporativa ao barrar quebras de sigilo que envolviam o ministro Dias Toffoli e o Fundo Arleen, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, as decisões de Mendes teriam beneficiado diretamente a empresa de Toffoli, o que caracterizaria um claro conflito de interesses. Já o pedido de indiciamento de Paulo Gonet fundamentava-se em uma suposta desídia, acusando o PGR de manter silêncio diante de indícios de crimes de responsabilidade e irregularidades no Caso Master.

A comissão, que originalmente nasceu após uma operação policial no Rio de Janeiro com 121 mortes, acabou focando sua atuação na relação entre facções criminosas e o sistema bancário. Além das punições individuais, o texto rejeitado propunha uma intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro para combater o domínio de milícias. Com o arquivamento do relatório, as propostas de intervenção e os processos de afastamento de ministros perdem força, encerrando um dos capítulos mais tensos da relação entre o Legislativo e o Supremo Tribunal Federal (STF).