Geral Alerta climático
Cemaden alerta para “desastre térmico” no Brasil com possível retorno do El Niño
Documento enviado à Casa Civil aponta 80% de probabilidade do fenômeno no segundo semestre; Sudeste e Centro-Oeste devem ser as regiões mais afetadas
12/04/2026 21h54 Atualizada há 3 horas
Por: Redação Fonte: ABCMais
Foto: Reprodução

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais enviou um documento oficial à Casa Civil alertando para a possibilidade de um desastre térmico no Brasil no segundo semestre de 2026. Segundo o climatologista José Marengo, existe uma probabilidade de 80% de que o fenômeno El Niño se estabeleça no Oceano Pacífico, o que deve gerar impactos severos especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas equatoriais em pelo menos 0,5°C acima da média e tem o potencial de provocar desequilíbrios climáticos extremos, como secas prolongadas, chuvas intensas e calor excessivo.

Os impactos previstos para a população e para a economia são significativos. No âmbito doméstico, a elevação das temperaturas mínimas tem prejudicado o descanso noturno, enquanto a sensação térmica superior a 35°C torna o uso do ar-condicionado quase indispensável, o que pode triplicar o custo das contas de energia elétrica. No setor econômico, a produtividade agrícola deve ser reduzida pelo calor constante, resultando em escassez de produtos e no consequente aumento do preço dos alimentos. O país vem enfrentando uma escalada de eventos extremos, registrando dez ondas de calor em 2024 contra oito ocorridas em 2023.

Embora a previsão de ocorrência seja alta, o Cemaden ressalta que a intensidade exata do fenômeno ainda não pode ser determinada, uma vez que os modelos meteorológicos perdem precisão em períodos superiores a dois meses. Caso o El Niño seja classificado como forte ou muito forte, ele poderá superar os efeitos devastadores observados em 2024, estabelecendo um novo e preocupante patamar de calor intenso para o território brasileiro. O alerta serve como uma orientação antecipada para que o governo federal estruture planos de contingência e mitigação de danos.

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