O município de Ibiraiaras, na região Norte do Rio Grande do Sul, é palco de uma emocionante história de recuperação e avanço na medicina veterinária. A cadela Anja, que teve três patas amputadas de forma criminosa pelo próprio tutor, voltou a ensaiar os seus primeiros passos com o auxílio de próteses. O procedimento cirúrgico ortopédico, considerado inédito no país para essa quantidade de membros, foi realizado no mês de março e devolveu a mobilidade e a esperança ao animal após meses de tratamento veterinário intensivo.
O caso brutal ganhou notoriedade estadual em julho do ano passado, quando Anja foi resgatada na cidade vizinha de Caseiros. A cadela foi encontrada por voluntários da ONG União Protetora Caseiros com as duas patas dianteiras amputadas e com ferimentos gravíssimos em uma das patas traseiras e no rabo. Após a formalização da denúncia, o antigo tutor foi preso em flagrante pelo crime de maus-tratos. Para reconstruir a locomoção do animal, uma equipe especializada de veterinários projetou implantes sob medida, fixados diretamente ao osso com parafusos e um resistente pino de titânio, desenvolvidos para não terem contato com a pele, reduzindo o desconforto e permitindo movimentos muito semelhantes aos naturais.
O longo tratamento e a cirurgia complexa, que durou cerca de quatro horas, só foram possíveis graças a uma grande corrente de solidariedade. Pessoas de diversas partes do Brasil realizaram doações financeiras para custear os procedimentos médicos e a internação. Segundo a veterinária Francieli Sgarbossa, apesar das agressões brutais que sofreu, a cadela manteve um comportamento surpreendentemente dócil. "Ela está feliz, carinhosa, lambendo e aceitou bem a alimentação", relatou a profissional. Atualmente, a cadela é o único animal do país a possuir três implantes desse modelo e está em fase final de reabilitação, aprendendo a caminhar e aguardando a chance de ganhar um novo lar através da adoção responsável.