Economia Negócios
Mercado de transmissões ao vivo cresce com novas tecnologias
Bruno Evangelista Neri Clemente, profissional da área audiovisual com mais de 20 anos de experiência, destaca o crescimento das transmissões ao viv...
06/04/2026 17h11
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Em poucos anos, as transmissões ao vivo deixaram de ser apenas uma ferramenta usada por emissoras de televisão ou grandes eventos e se transformaram em um dos motores da economia digital. O fenômeno alcança hoje igrejas, organizações sem fins lucrativos, instituições culturais e pequenas empresas — segmentos que, cada vez mais, precisam comunicar com profissionalismo e escala, mas podem não dispor de infraestrutura técnica especializada para isso.

Esse mercado, chamado de live streaming, deve atingir um tamanho global de US$ 345 bilhões (R$ 1,8 trilhão, na cotação atual) em 2030. O número revela um crescimento em relação aos US$ 99,8 bilhões (R$ 520 bilhões) estimados em 2024, segundo os dados da Grand View Research.

Bruno Evangelista Neri Clemente, profissional da área audiovisual com mais de 20 anos de experiência, relata que o crescimento é influenciado pelo avanço tecnológico. Ele diz que, quando começou a carreira, grande parte das transmissões ao vivo dependia de estruturas altamente complexas de televisão, como unidades móveis de grande porte e infraestrutura técnica robusta.

"Com a consolidação da era digital, houve uma mudança no fluxo de produção. Hoje, tecnologias de streaming, sistemas de transmissão via internet e equipamentos mais compactos permitem alcançar audiências globais com grande agilidade, ampliando a relevância das transmissões ao vivo", afirma Clemente, que já trabalhou nas principais emissoras do país cobrindo acontecimentos como a pandemia de Covid-19, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Além do Brasil, ele também desenvolveu trabalhos na Angola e nos Estados Unidos, onde atua desde 2023 como Video Producer.

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Entre os avanços que permitiram essa transformação, Clemente destaca a evolução das câmeras digitais de alta sensibilidade, os sistemas de produção multicâmera digitais, a transmissão de vídeo via protocolo IP e o desenvolvimento de plataformas de streaming capazes de suportar grandes volumes de audiência simultânea.

Mas, para além do equipamento, ele chama atenção para algo que considera ainda mais decisivo: a adoção de fluxos de captura dinâmicos, com câmeras móveis e operadores versáteis, que permitem cobrir eventos complexos com muito mais agilidade e impacto visual do que os setups fixos tradicionais.

Hoje, instituições educacionais, organizações sociais, eventos culturais e comunidades conseguem utilizar transmissões ao vivo como ferramenta estratégica de comunicação, diz Clemente. O desafio, segundo ele, está menos na aquisição de tecnologia e mais na estruturação de processos internos: definir fluxos de trabalho padronizados, documentar procedimentos operacionais e, sobretudo, capacitar as equipes — muitas vezes formadas por voluntários — para operar com consistência e qualidade técnica. "Um voluntário bem treinado e com um protocolo claro na mão entrega um resultado muito melhor do que um técnico experiente trabalhando sem diretrizes", acrescenta.

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"As transmissões ao vivo são uma das áreas mais exigentes do audiovisual. Diferentemente de produções gravadas, o ambiente ao vivo exige precisão absoluta e capacidade de resposta imediata a qualquer imprevisto técnico", pontua Clemente. Ele menciona especificamente o domínio de câmeras profissionais, iluminação, áudio, produção multicâmera e sistemas de transmissão digital.

Estrutura e processos

Para Clemente, a diferença entre uma operação audiovisual amadora e uma profissional não está apenas no equipamento utilizado, mas na existência de processos documentados e equipes que sabem o que fazer em cada etapa.

Ele defende que organizações de missão — igrejas, fundações, ONGs — precisam encarar a produção de conteúdo como uma área de gestão, e não apenas como uma atividade técnica pontual. Isso significa desenvolver procedimentos operacionais padrão, realizar auditorias periódicas dos departamentos de mídia e criar programas de treinamento contínuo para os voluntários.

Em relação ao futuro, Clemente relata que o mercado aponta para uma integração cada vez maior entre tecnologia e narrativa audiovisual. Inovações como produção virtual, inteligência artificial, realidade aumentada e workflows baseados em nuvem devem transformar significativamente o setor.

"Com base na minha experiência acompanhando a evolução do audiovisual ao longo de mais de duas décadas, acredito que a tecnologia continuará ampliando as possibilidades técnicas, mas o elemento humano — e a solidez dos processos que sustentam uma operação — continuará sendo o que separa uma transmissão impactante de uma transmissão meramente funcional", resume Clemente.